‘Uma vacina nunca terminou uma epidemia, é sempre a imunidade de rebanho’, diz Osmar Terra

Curado da Covid-19, deputado afirmou que houve ‘erros sérios no enfrentamento à pandemia’: ‘Criou-se uma ilusão que se trancasse todo mundo em casa, daria certo, mas fracassou’

  • Por Jovem Pan
  • 08/12/2020 20h30 - Atualizado em 08/12/2020 21h06
Fátima Meira/Estadão ConteúdoTerra passou 12 dias internado por Covid-19 no Hospital São Lucas, da PUC-RS, em Porto Alegre, e teve alta no último dia 4

Curado da Covid-19 após 12 dias de internação, o deputado federal Osmar Terra (MDB) disse nesta terça-feira, 8, em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, que a pandemia do coronavírus pode terminar antes da chegada da vacina. Em reunião com governadores, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que a imunização deve começar em fevereiro. Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), declarou que o processo deve iniciar em 25 de fevereiro no Estado. “Nunca se teve uma vacina para terminar uma pandemia, é sempre a imunidade de rebanho. A questão da vacina é importante, mas o vírus pode terminar a epidemia sozinho, porque faz uma vacinação natural da população”, disse Terra. “A vacina precisa ser testada, porque pode gerar mais danos que o vírus. Nenhuma vacina tem eficácia garantida. Vai se fazer às pressas, é absurdo se marcar data para uma vacina. Eu tenho a intuição, pelo que vi e controlei de epidemias, que essa epidemia pode terminar antes da vacina”, completou.

Para o deputado, que também é médico, houve “erros sérios no enfrentamento à pandemia”, como as políticas de isolamento social e a instauração de pânico na população. “Criou-se uma ilusão que se trancasse todo mundo em casa, daria certo. Isso fracassou. Quem pauta essa epidemia não é o governador, é o vírus […] Criou-se uma ilusão que ia proteger a população, mas não protegeu”, afirmou. Segundo ele, agora os governantes estão tentando criar “uma solução mágica”, que é a vacina. Terra passou 12 dias internado por Covid-19 no Hospital São Lucas, da PUC-RS, em Porto Alegre, e teve alta no último dia 4. À Jovem Pan, ele contou que os únicos sintomas que teve foi febre e comprometimento do pulmão, que passou de 4% para 80% em 10 dias de infecção. O parlamentar disse, ainda, que tomou hidroxicloroquina e ivermectina. “Acho que todo mundo deveria fazer, é isso ou nada. Não faz mal, não tem risco maior nos primeiros dias, e pode ter influenciado, no meu caso, em não ter sido mais grave. Os médicos tem dito que o grupo que usa [cloroquina] tem formas menos graves da doença”, explicou o deputado. Segundo estudos científicos, a hidroxicloroquina não possui eficácia no combate ao coronavírus. Já em relação a ivermectina, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), analisa que não há estudos conclusivos sobre o seu uso no tratamento contra a doença.

Assista ao programa na íntegra: