‘Bolsonaro entende mais a psicologia popular que a própria esquerda’, diz líder do PCO

Em entrevista ao Pânico, Rui Costa Pimenta criticou o PT, partido do qual foi expulso no final dos anos 80: ‘Nós sempre criticamos e achamos que é um beco sem saída para os trabalhadores’

  • Por Jovem Pan
  • 01/12/2021 16h04
Rui Costa Pimenta foi o convidado desta quarta-feira, 01, do programa Pânico

Nesta quarta-feira, 1º, o programa Pânico recebeu o político e jornalista Rui Costa Pimenta, um dos líderes do Partido da Causa Operária (PCO). Expulso do PT em 1989, Pimenta teceu críticas ao partido. “Eu fui militante do PT. Fomos expulsos no final da década de 80 justamente pelo problema dos acordos com a burguesia. Nós sempre criticamos e achamos que é um beco sem saída para os trabalhadores”, contou. “O governo Lula fez algumas reformas importantes, mas você não vai resolver os problemas do país com os donos do país. Você teria que romper. É possível [chegar ao socialismo], em tese, ao fazer reformas políticas e mudar o sistema democrático”, afirmou. Pimenta também analisou nomes do atual cenário eleitoral. “A eleição é feita pela imprensa, o Moro já está lá, o Doria já está lá. Bolsonaro entende melhor a psicologia popular que a própria esquerda, ele nada de braçada nessa situação. Guilherme Boulos é um político artificial, ele não é um genuíno líder popular.”

Candidato à presidência em 2014, Pimenta afirmou que a vitória de figuras como Jair Bolsonaro, João Doria ou Sergio Moro nas eleições de 2022 seriam prejudiciais ao país. Para eles, em um cenário como este, o Brasil seria reduzido a uma posição subalterna. “Uma vitória de Bolsonaro, João Doria ou Sergio Moro levará o país para um desastre histórico. Para o capitalismo internacional, países como o Brasil têm que ser reduzidos a uma posição subalterna. O Brasil perdeu sua indústria, a miséria aumentou. Se nós tivermos mais um governo profundamente submisso a essas diretrizes, poderemos chegar a uma posição que seria difícil voltar.”

Segundo Pimenta, a revolução de extrema-esquerda defendida pelo PCO jamais foi vista em outros regimes políticos pelo mundo. “Todos os países que fizeram uma revolução e acabaram com a propriedade privada pararam no meio do caminho, não podemos apontar como modelo. Temos que considerar que todos são países pobres, os países ricos não sofreram uma revolução”, afirmou. “Cuba é um país muito mais pobre que o Brasil, logo, você não vai construir uma sociedade de abundância. A Alemanha oriental era um terço da Alemanha. A União Soviética era um país mais atrasado que o Brasil hoje”, explicou. Para ele, algumas políticas progressistas são usadas como novas formas de sustentar o capitalismo. “Esse progressismo é uma fachada porque o capitalismo está muito fraco. O capital precisa apresentar uma face humana que defenda, por exemplo, a mulher e os negros.”

Confira na íntegra a entrevista com Rui Costa Pimenta: