Girão diz que possível candidatura de Moro favorece o país: ‘Resgate de valores e princípios do povo’

Em entrevista ao Pânico, senador opinou sobre o Supremo Tribunal Federal, a agenda de reformas do governo e as eleições de 2022

  • Por Jovem Pan
  • 09/11/2021 16h16
Reprodução/Pânicoo senador Eduardo Girão foi o convidado do programa Pânico desta terça-feira, 9

O senador cearense Eduardo Girão foi o convidado do programa Pânico desta terça-feira, 9. Membro do Podemos, partido ao qual Sergio Moro se filiará oficialmente na próxima quarta-feira, o parlamentar disse acreditar na possível candidatura do ex-juiz como uma possibilidade de colaboração contra a polarização no país. “Acho um desejo legítimo. A eventual candidatura do ex-ministro à presidência só vem  a colaborar contra a falta de diálogo e a divisão que beira a irracionalidade no país. É um país dividido, tem gente que deixa de falar por causa de política. Acredito que o Sergio Moro, como idealista, com a presença dele, independente do resultado, o Brasil ganha, pois vem o resgate dos valores e princípios do povo brasileiro, que é o enfrentamento da corrupção. Ele precisa ter cuidado com alianças, às vezes mais atrapalha que ajuda.” 

Ainda sobre as eleições de 2022, o senador se diz otimista para um cenário de renovação, com novos rostos entre os parlamentares. “É um grupo de novos senadores, foi uma renovação razoável [em 2018], mas não foi o suficiente. Sou otimista e esperançoso com o futuro, porque o povo brasileiro está gostando de política. Acredito que a gente possa renovar mais ainda nas próximas eleições para que a gente possa desenvolver melhor o nosso trabalho. Estou aqui por essas bandeiras. Existe um poder em cima do outro, a coisa está desequilibrada”, conclui. Girão ainda afirmou acreditar que um cenário diferente na presidência do Senado seria capaz de abrir e julgar os pedidos de impeachment de ministros do judiciário, dos quais é crítico. “A CPI da Pandemia foi o STF que mandou o Senado abrir, não esqueça disso. Não existe vácuo na política, mas o Supremo não era para estar fazendo política, não era o papel deles. A gente vê um ativismo judiciário muito grande, só o Senado tem o poder de equilibrar essas coisas. Na hora que o Senado tiver a dignidade de abrir um pedido de impeachment desses, nós vamos ter os poderes respeitando.”

Conhecido nacionalmente por sua participação na CPI da Pandemia, Girão avaliou o atraso na agenda de reformas prometidas pelo governo federal. Para ele, a comissão investigadora do coronavírus fez com que as reformas administrativa e tributária se atrasassem no cronograma do Senado. “A reforma administrativa era para ter sido votada há muito tempo, a reforma tributária também. A gente precisa simplificar essa situação. Elas devem ser concomitantes, simultâneas. Acredito que a CPI da Pandemia consumiu durante 6 meses a energia do Senado e medidas estruturantes como essas reformas foram deixadas de lado. Agora que terminou, graças a Deus, temos a chance de retomar. O que a gente pode fazer e vai fazer é cobrar os representantes colocados em Brasília para que deliberem sobre isso. Vai dar um fôlego muito grande para esse país”, afirma.

Confira na íntegra a entrevista com Eduardo Girão: