‘Políticos do Rio levam armas e drogas para comunidades’, diz Cabo Daciolo

Durante sua participação no programa Pânico, nesta segunda-feira, 19, Cabo Daciolo revelou porque deixou a disputa pela prefeitura do Rio e criticou o governo Bolsonaro 

  • Por Jovem Pan
  • 19/10/2020 15h49 - Atualizado em 19/10/2020 16h24
Imagem: ReproduçãoCabo Daciolo criticou o Partido Liberal, o Governo do Rio de Janeiro e a gestão Bolsonaro

Candidato à Presidência em 2018, Cabo Daciolo afirmou, em entrevista ao programa Pânico desta segunda-feira, 19, que iria se candidatar à prefeitura do Rio de Janeiro, mas foi impedido por “incomodar os políticos do Partido Liberal (PL)”. “Durante campanha para a Presidência da República eu estava filiado ao Patriota e alcançamos números muito positivos na disputa, o povo embarcou com a gente. Ao final das eleições, o Patriota decidiu fechar com Marcelo Crivella (Republicanos) aqui no Rio, então fui obrigado a deixar o partido e procurar outra sigla na qual eu pudesse levar uma solução verdadeira à nação. Ingressei no PL para disputar a prefeitura e despontei nas pesquisas, já estávamos batendo dez pontos percentuais das intenções de voto, mas eu estava incomodando. Por isso, optaram por suspender o apoio à minha candidatura e fechar com o Eduardo Paes (DEM), que está completamente envolvido com Sergio Cabral”. Em março deste ano, o ex-candidato se filiou ao PL e, em setembro, anunciou a desvinculação ao partido. “Me tiraram das eleições porque eu não compactuo com nenhum deles, estou de passagem neste mundo e quero proporcionar o bem, há solução para o Rio de Janeiro.”

Daciolo ressalta que, mesmo acreditando em um futuro livre de corrupção para o estado, os problemas que o “afundam” não estão relacionados apenas a determinados políticos, mas sim a todo o sistema. “Há uma quadrilha instaurada. Quando olhamos para o Rio, pensamos na milícia e no tráfico de drogas, mas existe algo infinitamente pior do que eles: os governantes da nossa nação. O cenário político está completamente corrompido, esse papo de direita e esquerda é mentira, todos são amigos, fechados contra o povo, até mesmo Cabral, Crivella e Eduardo Paes. Só existe o tráfico e a milícia por conta do governo. Atualmente, quem leva o armamento e as drogas para a comunidade são os políticos poderosos. O sistema se alimenta dessa desigualdade, não há educação e infraestrutura para o povo porque é preciso mantê-lo escravizado.” Para ele, uma das soluções viáveis para resolver a situação seria a candidatura independente de partidos políticos. “Enquanto não adotarmos as candidaturas avulsas, não teremos transformação porque um dos grandes cânceres da nação são os partidos políticos.”

As críticas de Cabo Daciolo ultrapassaram as siglas políticas, a esfera estadual e alcançaram, até mesmo, o Governo Federal. “Jair Bolsonaro adotou uma política de escravização da nação. Por exemplo, Paulo Guedes e o presidente querem implementar uma reforma administrativa para mexer nos salários dos servidores públicos de baixo escalão, mas pretendem aumentar os ganhos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), só pode ser brincadeira. Além disso, Bolsonaro sempre foi amiguinho do Centrão, essa aproximação não é de hoje. O aumento do desemprego também não aconteceu devido à pandemia de Covid-19, é fruto de uma má gestão. Estamos entrando em um cenário de caos”, concluiu.