Ideia de que reagir é errado incentiva os criminosos’, diz Bene Barbosa sobre porte de armas

Em entrevista ao Pânico, especialista em segurança pública afirmou que o Estado é incapaz de proteger todos os cidadãos: ‘Armas de fogo envolvem riscos, mas também envolvem riscos não tê-las’

  • Por Jovem Pan
  • 05/10/2021 17h25 - Atualizado em 05/10/2021 20h15
Reprodução/PânicoBene Barbosa e Fernando Capez foram os convidados do programa Pânico desta terça-feira, 5

Nesta terça-feira, o programa Pânico promoveu um debate sobre segurança pública entre Bene Barbosa, ativista, palestrante e especialista em segurança pública, e Fernando Capez, ex-deputado estadual e atual secretário de defesa do Consumidor de São Paulo. Em discussão, Barbosa defendeu a legalidade do porte de armas, isto é, cidadãos terem o direito de circular em vias públicas armados, pois, segundo ele, o Estado não consegue, sozinho, proteger a todos. “O Estado é incapaz de proteger a todos. A gente teve uma deturpação da ideia de segurança pública muito grande, há a ideia do estado protegendo você e sua família o tempo todo, mas a função da segurança pública é garantir o cumprimento das leis e a normalidade, não significa que não haverá crimes.” O ativista ainda criticou a não reação a assaltos, apesar das normas da Secretaria de Segurança Pública recomendarem que a vítima não reaja durante incidentes. “Há o mantra do nunca reaja, não acho que tenha que reagir sempre, vai depender do preparo da pessoa, mas é perigoso, pois quando vejo delegados, secretários, oficiais dizendo isso. O cidadão e o bandido estão ouvindo isso. O bandido ouve isso como uma justificativa quando mata a vítima. No final das contas, é incentivado pela premissa que você está errado quando reage, sendo que o correto seria dizer: ‘olha criminoso, se você matar alguém durante um assalto, pegará 30 anos de cadeia’. Armas de fogo envolvem riscos, mas há também riscos em não tê-las.”

Enquanto isso, para Capez, o porte de arma pode ser prejudicial e implicar tragédias de trânsito e familiares. Para ele, é necessário que exista preparação física e psicológica para o uso de armas. “Temos a melhor PM da América Latina, mas ela não pode estar em todos os lugares a todo o tempo. Temos três níveis de criminalidade, em primeiro lugar a ocasional, que é aquela velha história de bebida alcoólica, arma de fogo, arma branca, tragédia e morte. É aquela praticada por um homem de bem, que perde o controle por efeitos e abusos. Discussões de trânsito se transformam numa tragédia, pois não estava preparado para usar aquela arma. Há a criminalidade organizada, como o PCC, que vão com armamento pesado, as forças armadas muitas vezes não conseguem dar conta, com isso a arma pouco protegerá. No caso da abordagem difusa, como assalto, para ter o porte, é necessário muito mais que um exame de perícia de tiro, no momento da ação há uma dinâmica, pessoas inocentes em volta, você pode ter sucesso, se exceder e responder por excesso, promotores já responderam por isso. A chance de sucesso é menor, porque o criminoso tem o fator surpresa e já está com o dedo no gatilho. É necessário cautela e treinamento para agir. O assaltante pode confundir você com uma polícia, agir e matar’

Bene Barbosa, por outro lado, atentou-se à necessidade de preparo policial para o combate ao crime. Para ele, a polícia brasileira não está totalmente equipada para lidar com armas de fogo, pois o treinamento requer grande gasto econômico. “Há o mito de que os homicídios são cometidos por pessoas comuns e pacíficas, isso é falso. A segunda lenda é que todo o policial é capacitado, o policial é muito pouco preparado com armas de fogo, porque custa caro. Os governantes preferem dar viaturas novas, circulando ali no Anhangabaú, mas uma viatura não faz nada, muito pouco se aplica para o treinamento desses policiais. Infelizmente o Brasil é o país onde mais matam policiais no mundo, porque o bandido sobe na carreira do crime quando ele mata um policial. Graças ao crime organizado, o bandido preso não tem a família desassistida, pois a organização deles é melhor que a do próprio estado.”

Confira na íntegra o debate entre Bene Barbosa e Fernando Capez: