Marinho rebate Samy: ‘Brasil é um transatlântico, não uma Ferrari para sair dando cavalo de pau’

Debate entre economista e ministro do Desenvolvimento Regional ficou acirrado após Samy afirmar que ‘não há um governo interessado em privatizar estatais e reduzir gastos’; veja o vídeo

  • Por Jovem Pan
  • 27/01/2021 17h32 - Atualizado em 27/01/2021 18h13
Imagem: Reprodução/Programa PânicoEm entrevista ao Pânico, Rogério Marinho revelou que eleições nas casas legislativas serão decisivas para projetos do governo

Uma pergunta do economista Samy Dana sobre a ineficiência do governo com a agenda de privatizações esquentou a entrevista com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, no programa Pânico, da Jovem Pan, nesta quinta-feira, 27. “Durante a campanha, o governo prometeu cumprir uma pauta econômica liberal, mas não é o que tem acontecido. Vemos uma pasta gastadora, desenvolvimentista. Além disso, a dívida bruta do país já chega a 98%, o que é um descompasso para um país em desenvolvimento, mas não há um governo interessado em privatizar e reduzir gastos. Pelo ao contrário, eu vejo um Estado cada vez maior, mais inchado e com um número de estatais que não diminui com o tempo. Qual a diferença entre o atual discurso do senhor e os discursos do PSDB e do PT?”, questionou Samy.

O ministro, por sua vez, rebateu a pergunta afirmando que “o Brasil é um transatlântico, não uma Ferrari para sair dando cavalo de pau”. “Samy, reconheço seu trabalho, mas sua capacidade de análise está falhando agora. Você está errado. Eu trabalho em cima de entregas, não de discursos. Se você se debruçar sobre a conjuntura política nacional, perceberá que nossos trabalhos estão emperrados há quatro meses devido às eleições das casas legislativas. A partir de fevereiro, quando novos parlamentares assumirem as cadeiras, temos a expectativa de que as pautas relacionadas a mudanças estruturais voltem a caminhar. A janela de oportunidade para evoluirmos será aberta agora, a partir dos primeiros seis meses de gestão das novas presidências do legislativo, quando poderemos amarrar uma série de ações que estão engavetadas por diversos motivos. Não tenho dúvida de que as privatizações andarão, o tempo mostrará. O mais importante de todo este processo é que temos o objetivo de privatizar e esta meta está sendo perseguida”, respondeu Marinho.

No último domingo, o pedido de demissão de Wilson Ferreira Junior da presidência da Eletrobras devido à falta de perspectiva de privatização da empresa, acendeu um alerta no mercado sobre o atraso da agenda de privatizações do governo federal. Iniciado o terceiro ano de gestão do presidente Jair Bolsonaro, até o momento, nenhuma estatal foi repassada à iniciativa privada. No entanto, uma nova empresa pública foi criada, a NAV Brasil. “Este é um processo de transição, o Brasil é um transatlântico, não uma Ferrari para sair dando cavalo de pau. É um país complexo, com cidades e realidades diferentes. Nós, da administração pública, precisamos ter a sensibilidade de tratar os desiguais de forma desigual”, concluiu o ministro.

Confira a discussão entre o ministro Rogério Marinho e Samy Dana: