Washington Olivetto celebra diversidade da torcida do Corinthians: ‘Tem os mais machos e os mais gays, tem tudo’

Publicitário participou do programa Pânico nesta terça-feira (1) e falou sobre a paixão pelo Timão

  • Por Jovem Pan
  • 01/09/2020 14h26 - Atualizado em 01/09/2020 16h04
Jovem PanWashington Olivetto foi o convidado do Pânico nesta terça-feira (1)

O publicitário Washington Olivetto participou nesta terça-feira (1) do programa Pânico e a aproveitou o aniversário de 110 anos do Corinthians para  falar sobre a criação da ‘Democracia Corinthiana’, nos anos 1980. “Eu como corintiano na época e conhecido, fui convidado para ser vice-presidente de marketing e precisava colocar um rótulo naquilo [movimento dos jogadores] porque facilitaria a venda da marca Corinthians. Naquela época, as pessoas falavam com ingenuidade que o Corinthians era só o time do povão, o que não era verdade. A nação corintiana é tão grande que o Corinthians tem os mais ricos e os mais pobres, os mais machos e os mais gays, tem tudo”, explicou “Um dia numa palestra na PUC eu não tinha o rótulo ainda e estávamos falando para os estudantes. O Juca Kfouri [que intermediava] falou: ‘Se eu entendi o que vocês estão falando é uma democracia de corintianos’. Eu pensei e anotei o nome Democracia Corinthiana”, completou.

Segundo Olivetto, o logo teve seu desenhos inspirado na Coca-Cola e na campanha das Diretas Já. Perguntado sobre a importância do movimento, o publicitário destacou que os jogadores tiveram muito destaque. “A democracia corintiana é mérito total dos jogadores particularmente do Sócrates, que tinha 20 e poucos anos, do Casagrande, que tinha 18, do Wladimir, que já era envolvido com causas do movimento negro, e de jogadores mais discretos, como o Zenon. De todos. Aderindo mais ou menos, o mérito era dos jogadores. Outro mérito é do Adilson Monteiro Alves que permitiu aos jogadores o que conceituamos como liberdade com responsabilidade”, explicou.

Garoto Bombril e publicidade no Brasil

Ícone da publicidade brasileira, Olivetto explicou como foi criado o ‘Garoto Bombril’, um dos seus maiores sucessos. “O garoto Bombril foi criado em 1978 e naquela época eu já estava percebendo que a mulherada estava mais interessada na inteligência dos caras como Woody Allen do que em caras musculosos. Por outro lado, passava na TV Globo a novela “Gabriela”, onde o Marco Nanini fazia um professor apaixonado pela personagem de Elizabeth Savala, e a mulherada adorava. Eu falei: ‘Opa, entre essa mistura de Woody Alen e Nanini dá para criar um personagem de produto de limpeza para se dirigir para as mulheres’. E foi criado o primeiro personagem a falar sobre limpeza com mulheres”, contou. Olivetto ainda revelou de forma exclusiva que lançará um podcast sobre sua história e um dos convidados será Carlos Moreno, o ator que ficou conhecido pelas propagandas da esponja de aço.

Sobre a publicidade atual no Brasil, o executivo comentou que falta ‘brilho criativo’ nos profissionais de hoje. “A grande publicidade no mundo foi no final dos anos 50 e 60 nos EUA, que influenciaram a Inglaterra, e a somatória dos dois influenciou o Brasil. Sem dúvida, aquela publicidade tinha um brilho criativo que não acontece hoje por diversos fatores, mas principalmente porque ninguém está se preocupando com uma coisa que é sagrada na publicidade. Se não tiver uma grande ideia não acontece nada”, finalizou.