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Saúde

Anvisa analisa novos remédios com semaglutida após fim da patente do Ozempic

Com fim da proteção no Brasil, expectativa é de possível redução de preços, mas a liberação depende de avaliação rigorosa

Nicolas Robert

Fachada do prédio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em Brasília
Fachada do prédio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em Brasília Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem atualmente oito pedidos de registro de medicamentos com semaglutida — princípio ativo do Ozempic — em análise, após a patente do produto expirar na sexta-feira (20). A expectativa com o fim da exclusividade é de aumento da concorrência e possível queda nos preços, mas a entrada de novos remédios no mercado ainda depende de aprovação da agência.

Segundo a Anvisa, dos oito processos em análise, sete são de medicamentos sintéticos e um de origem biológica. Além disso, outros nove pedidos ainda aguardam o início da avaliação técnica.

Apesar do fim da patente, a agência reforça que nenhum medicamento pode ser vendido no país sem comprovar eficácia, segurança e qualidade. Por isso, os prazos para liberação ainda são incertos.

A maior parte dos pedidos foi apresentada em 2025, após a Anvisa priorizar a análise de medicamentos análogos ao GLP-1, classe à qual pertence a semaglutida. Atualmente, dois processos estão parados por exigências técnicas, aguardando envio de informações pelas empresas até o fim de junho.

Outros pedidos devem ter uma primeira decisão até o fim de abril, que pode resultar em aprovação, rejeição ou novas exigências.

Diferença entre os tipos de medicamentos

Os medicamentos em análise se dividem em dois grupos:

Biológicos: produzidos a partir de organismos vivos ou processos biotecnológicos, geralmente mais complexos e, em muitos casos, aplicados por injeção;

Sintéticos: feitos por síntese química, com moléculas menores e mais estáveis;

Há ainda os chamados análogos sintéticos, que tentam reproduzir a estrutura de medicamentos biológicos. Esses são considerados de alta complexidade e exigem avaliação mais detalhada.

Avaliação rigorosa

A análise desses novos medicamentos é considerada um desafio técnico em todo o mundo. Até agora, nenhuma grande agência reguladora internacional aprovou versões sintéticas da semaglutida.

Isso acontece porque esses produtos combinam características de medicamentos sintéticos e biológicos, o que exige testes mais amplos. Entre os principais pontos avaliados estão:

  • presença de impurezas;
  • risco de reação do sistema imunológico;
  • formação de agregados na substância;
  • garantia de esterilidade.

O objetivo é evitar problemas como reações adversas ou perda de eficácia do tratamento.

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