Infarto pode acontecer a qualquer hora: veja os sinais e o que fazer agora
Na época da faculdade, próximo de se escolher qual especialização seguir, ouvíamos que neném não tem hora para nascer e infarto não tem hora para acontecer. Para ser obstetra ou cardiologista, teríamos de ter disponibilidade 24h.
Mas será que é verdade? Não há nada que possamos fazer para prever o aparecimento desta doença?
O infarto, popularmente conhecido como “ataque do coração”, acontece quando uma artéria que leva sangue ao coração fica entupida, geralmente por causa de uma placa de gordura (colesterol) que se rompe e forma um coágulo. Entender os fatores de risco e os momentos de maior perigo ajuda a se proteger, já que é a principal causa de morte no Brasil e no mundo!
Quais são os principais fatores de risco?
Tabagismo: mesmo fumar poucos cigarros por dia já aumenta o risco, e não existe uma quantidade “segura”; colesterol alterado: principalmente níveis altos de colesterol “ruim” (LDL); pressão alta (hipertensão); diabetes (açúcar alto no sangue); obesidade, principalmente na barriga; sedentarismo; estresse e fatores emocionais; idade e histórico familiar.
Na grande maioria dos casos de infarto, a pessoa tinha pelo menos um desses fatores de risco – e muitos deles podem ser controlados com mudanças de hábito e tratamento médico. Por outro lado, pode haver um forte fator genético e, mesmo a pessoa com hábitos de vida mais saudáveis, ter este problema de saúde.
O infarto ocorre com muito mais frequência pela manhã, principalmente entre 8h e 11h, logo depois que a pessoa acorda. Isso acontece porque, ao despertar, o corpo aumenta naturalmente a pressão arterial, a frequência cardíaca e a “colagem” das plaquetas do sangue (que ajudam a formar coágulos).
O infarto é mais frequente no frio, especialmente no inverno, do que no calor. Temperaturas baixas fazem os vasos sanguíneos se contraírem (vasoconstrição), o que aumenta a pressão arterial e deixa o sangue mais “grosso” e propenso a formar coágulos.
Como identificar e reagir aos sintomas
O sintoma mais comum é dor ou desconforto no peito, descrito como pressão, aperto ou peso, que pode durar mais de alguns minutos ou ir e voltar. Mas também pode se manifestar de outras formas, e é importante conhecê-las: dor ou desconforto que pode se espalhar para o braço (principalmente o esquerdo), ombro, costas, pescoço, mandíbula ou até a boca do estômago. Falta de ar, com ou sem dor no peito. Suor frio, náusea, vômito ou tontura. Cansaço incomum ou fraqueza súbita, sem causa aparente.
É importante saber que mulheres, idosos e pessoas com diabetes têm mais chance de sentir um infarto sem a dor típica no peito, apresentando principalmente falta de ar, náusea, dor entre as costas ou cansaço intenso. Por isso, mesmo sem dor forte no peito, esses sinais não devem ser ignorados.
O que fazer diante de uma suspeita de infarto
Ligar imediatamente para o serviço de emergência (192 – SAMU). Não é indicado dirigir até o hospital por conta própria, pois o socorro especializado pode iniciar o tratamento ainda a caminho. Se for por meios próprios, vá à unidade de pronto atendimento (UPA) ou ao pronto-socorro mais próximo de sua casa.
Não espere para ver se a dor passa sozinha. Se o desconforto no peito durar mais de alguns minutos, não melhorar com repouso ou piorar, a orientação é acionar a emergência sem demora – cada minuto de atraso reduz as chances de um tratamento bem-sucedido.
Fique atento a sintomas como dor ou aperto no peito, falta de ar, suor frio e dor que se espalha para o braço ou mandíbula, principalmente ao acordar ou em dias frios – e procure atendimento médico imediatamente se isso ocorrer.
Afinal, infarto não tem dia nem hora certa para acontecer. Cuide-se e esteja preparado para agir rápido!
Fernando de Paula Machado – CRM SP 100696 | RQE 62903
Cardiologista
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