Gerente de Medicamentos da Anvisa cita incertezas, mas recomenda aprovação da CoronaVac
O Gerente-Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes Lima, afirmou que a equipe recomenda que a Direção Colegiada do órgão aprove o uso emergencial da CoronaVac, desde que haja um monitoramento e acompanhamento muito próximo em relação as incertezas, além de uma avaliação periódica. “A nossa recomendação como área técnica é que, tendo em vista o cenário da pandemia e o aumento do número de casos e a ausência de alternativas terapêuticas, se aprove o uso emergencial da Coronavac, condicionada a um monitoramento e acompanhamento muito próximos em relação as incertezas e avaliação periódica”, disse.
Dentre as incertezas em relação ao imunizante, Lima citou a falta de dados sobre a eficácia para dose única, e em crianças, gestantes, e imunossuprimidos. Segundo ele, não teve uma apresentação fragmentada dos dados ou números suficientes para chegar a conclusões confiáveis. Além disso, mesmo sendo solicitado mais de uma vez, o Instituto Butantan não apresentou os dados de imunogenicidade. “Os dados de imunogeneicidade não tinham sido apresentados no início, e depois foram, mas não são mas quantitativos, o que não é considerado adequado para a nossa avaliação”, explicou. Também não foi discriminada qual a eficácia da vacina dividida entre os períodos de aplicação, quantas doses serão necessárias e como o imunizante reagiu a pessoas que já tiveram a doença. Os dados também não foram suficientes para mostrar uma eficácia dos casos moderados e graves, isso porque o número de ocorrências no placebo e no grupo vacinado foram muito baixos, problema que também aconteceu em relação aos idosos. “Os dados precisam ser confiáveis. Nós, como agência reguladora, precisamos ter acesso a todas as informações prestadas (…). Fizemos algumas perguntas durante a avaliação de uso emergencial e não conseguimos as respostas, o acesso ao banco de dados ainda estava restrito”, afirmou Lima. Por isso, a Gerência-Geral agendou, no dia 25 de janeiro, uma inspeção de boas práticas clínicas.
[jp-related-posts ids=”1035158,1034754,1035704″]
A Anvisa informou, ainda, que a eficácia da Coronavac é de 50,39%, porcentual em linha com o anunciado pelo Instituto Butantan, de 50,38% para casos muito leves, 78% para leves e 100% para moderados ou graves. “O dado mais importante, para a gente, é o da eficácia total”, disse Lima. Os cinco diretores da Anvisa se reúnem neste domingo, 17, desde às 10 horas, para análise final e votação dos pedidos de liberação feitos pelo Instituto Butantan e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Toda a reunião é transmitida online, com previsão para se estender até às 15 horas. A avaliação dos diretores se baseará nos pareceres enviados por três áreas da agência: os setores responsáveis pelo registro de medicamentos, pela certificação de boas práticas de fabricação e pela farmacovigilância de medicamentos, como é chamado o monitoramento do produto no mercado. A decisão da diretoria é feita por maioria simples, ou seja, de cinco diretores, três votos a favor ou contra definem o resultado. O placar da votação será divulgado somente no final da reunião.
Assuntos
continue lendo
Brasil
Polícia Civil de SP dará posse ao maior número de investigadores da história
Ao todo, são 1.413 candidatos nomeados no concurso referente ao edital de 2023 e aptos para iniciar a carreira na corporação
- Anvisa proíbe caneta emagrecedora vinda do Paraguai Agência Brasil · há 6 horas
- Justiça aceita denúncia contra 5 acusados de matar ciclista no Rio Agência Brasil · há 8 horas
- Acidente entre ônibus e carreta mata seis e deixa 43 feridos em Minas Gerais Jovem Pan · há 9 horas
- Polícia da Paraíba prende suposto serial killer envolvido em 16 assassinatos em 3 meses Estadão Conteúdo · há 21 horas