JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Pânico | 12h00 - 14h00
Patrícia Costa

Brumadinho e a lição tardia da ética profissional

Mais de cinco anos após a tragédia, o Crea-MG cancela registros de engenheiros envolvidos. A punição é necessária, mas revela a lentidão da justiça e a fragilidade da fiscalização

Patricia Costa

BARRAGEM BRUMADINHO
Brumadinho ROBERIO FERNANDES Robério Fernandes/Estadão Conteúdo

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) decidiu cancelar o registro de 15 engenheiros que tiveram responsabilidade técnica no rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, em janeiro de 2019. A medida é definitiva e impede esses profissionais de exercerem legalmente a atividade. O rompimento matou 272 pessoas, contaminou rios, destruiu comunidades inteiras e permanece como um dos maiores desastres socioambientais do Brasil. A decisão do Crea, embora correta e exemplar, chega tarde: foram mais de cinco anos até que a punição administrativa fosse concluída. Nesse intervalo, famílias enfrentaram uma espera angustiante por justiça, enquanto a mineração em Minas seguiu produzindo novas ameaças. O cancelamento dos registros traz um recado importante: ética, responsabilidade técnica e segurança de vidas humanas não podem ser relativizadas em nome do lucro. Ao mesmo tempo, escancara as lacunas de um sistema de fiscalização que falhou em prevenir o desastre e que só se move depois da tragédia.

[cta-selector name=”model2″ image1=”https://s.jpimg.com.br/wp-content/plugins/CTA-posts-selector/assets/images/640_3anos-JPNews.jpg” text2=”Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp!” link3=”https://www.whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S” text4=”WhatsApp” icon5=”fa-brands fa-whatsapp” ]

É legítimo questionar: quantas outras barragens hoje operam em condições de risco? Quantos profissionais continuam assinando laudos sem a devida independência? O caso Brumadinho mostra que não basta punir engenheiros depois que o pior acontece. É preciso repensar a regulação, fortalecer órgãos de controle e garantir que alertas técnicos não sejam abafados pela lógica financeira.A punição administrativa, isolada, não devolve vidas, nem repara comunidades. Mas pode — e deve — servir como marco simbólico para uma mudança estrutural. A ética profissional precisa caminhar junto da fiscalização pública. Só assim o Brasil poderá transformar a dor de Brumadinho em compromisso real com a segurança, a justiça e o futuro.

[jp-related-posts ids=”2064906″]