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Política

Eleições 2020: Quem é Guilherme Boulos, candidato do PSOL à Prefeitura de SP

Professor e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) é terceiro colocado nas pesquisas para prefeitura de São Paulo

André Siqueira

Professor e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, de 38 anos, é o candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo – sua companheira de chapa é a deputada federal Luiza Erundina (PSOL), que comandou a cidade entre 1989 e 1992. Há menos de um mês do primeiro turno do pleito municipal, Boulos aparece na terceira colocação das pesquisas de intenção de voto. Segundo o levantamento feito pelo Ibope, divulgado nesta quinta-feira 15, o candidato do PSOL tem 10% dos votos, atrás de Celso Russomano (Republicanos), com 25%, e o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), com 22%, empatados tecnicamente. Em 2018, aos 36 anos, o líder do MTST foi o candidato de seu partido à Presidência da República e ficou na 10ª colocação, com 617 mil votos. À época, se tornou o candidato mais jovem a concorrer ao Palácio do Planalto.

Boulos entrou para o movimento estudantil em 1997, como militante da União da Juventude Comunista. Cinco anos depois, ingressou no MTST, movimento que hoje coordena. Filho dos infectologistas Marcos Boulos e Maria Ivete Castro Boulos, formado em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP) e com um mestrado em psiquiatria na Faculdade de Medicina da USP, ganhou notoriedade por conta de seu envolvimento com as ocupações de imóveis que não cumprem a sua função social. Apesar da projeção política, filiou-se ao PSOL apenas em 2018, para disputar as eleições presidenciais.

Com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, em 2018, os partidos de esquerda discutem a formação de uma frente ampla, capaz de aglutinar os principais nomes de oposição com o intuito de fortalecer candidaturas competitivas nas eleições. Apesar de muita articulação, os esforços esbarram em atritos internos que inviabilizam a costura destes acordos. Em São Paulo, por exemplo, Boulos compete o ex-secretário de Transportes da cidade, Jilmar Tatto, candidato do PT nestas eleições. Mesmo com o apoio de Lula, Tatto ainda patina nas pesquisas e viu nomes historicamente ligados ao petismo, como Caetano Veloso, Chico Buarque e a escritora Marilena Chaui, assinaram um manifesto em apoio à chapa do PSOL. Em entrevista à Jovem Pan, Boulos evitou tecer comentários sobre as dificuldades para a formação de uma candidatura única no campo da esquerda, mas afirmou que ele e Erundina são os únicos capazes de derrotar “esta tragédia que é o Bolsodoria”. A declaração faz alusão ao apoio do presidente Jair Bolsonaro à candidatura de Celso Russomano (Republicanos) e ao apoio do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ao seu correligionário Bruno Covas

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Com apenas 17 segundos de tempo de TV no horário eleitoral gratuito, Boulos aposta nas redes sociais para angariar votos. Na sexta-feira 9, o candidato realizou a “Virada com Boulos”, uma live de 24h para falar de propostas e mostrar um pouco de sua rotina. O programa teve mais de um milhão de visualizações e gerou publicações com a hashtag #BigBoulosBrasil, em referência ao reality show Big Brother Brasil. “É uma disputa muito desigual, é Davi contra Golias. Tenho 17 segundos na TV, Covas e Russomano têm um verdadeiro latifúndio. O espaço que temos para dialogar com a cidade e apresentar nossas propostas é a rede social”, afirma.