Joice Hasselmann diz que Bolsonaro está tentando recriar o mensalão
A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou, em entrevista ao Pânico nesta terça-feira (5), que o presidente Jair Bolsonaro está tentando recriar o mensalão com a aproximação ao centrão. A referência é ao escândalo de 2005 quando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva comprou votos de parlamentares.
Segundo Joice, “nunca houve um presidente na história que fez tanta lambança como Bolsonaro”, apesar de não ter os escândalos de corrupção dos governos do PT. “Ele não fez o petrolão, mas o mensalão está tentando fazer”, afirmou. “Ele se alia ao que tem de pior, à turma que fez parte do petrolão e do mensalão”, continuou a deputada, denunciando que o presidente está trocando cargos por apoio político.
Ex-apoiadora de Bolsonaro, Joice Hasselmann agora defende o impeachment do presidente – ela própria protocolou um pedido na Câmara dos Deputados. “Só não anda o processo de impeachment porque a Câmara não quer. Os crimes de responsabilidade ele já cometeu”, disse, se baseando principalmente nas denúncias do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o capitão reformado teria interferido politicamente na Polícia Federal.
Sobre a demissão de Moro, Joice garantiu que apoia o ex-juiz federal e inclusive torce para que ele se candidate à presidência da República em 2022. “Continuo acreditando em Sergio Moro, sei que ele diz a verdade e a saída dele deixou muito claro as más intenções de parte do governo”, cravou. “Sergio Moro é um grande símbolo do combate à corrupção.”
Racha com Bolsonaro
Ainda na entrevista, Joice Hasselmann explicou por que se afastou de Jair Bolsonaro. Ela contou que um dos pontos fundamentais foi o escândalo em que o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, se envolveu. “Quando eu vi que o negócio é cabeludo, comecei a me esquivar”, disse.
A deputada comentou a entrevista que deu em 2018 ao jornalista Roberto Cabrini garantindo que não iria deixar de apoiar Bolsonaro. “Quando eu olho aquele meu vídeo, me sinto bobinha e ingênua de ter acredito naquilo”, admitiu.
Ela reconheceu que já havia percebido que Bolsonaro talvez não fosse o melhor nome para conduzir a nação, mas quis acreditar que ele faria um bom trabalho. “Eu sabia que o Bolsonaro era truculento, meio burrão mesmo, tinha limitação intelectual, mas achei que deixaria a equipe trabalhar”, desabafou Joice.
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