Maia: Governo pode usar fundo partidário para combater coronavírus
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou nesta segunda, 23, que o Governo Federal poderá utilizar todo o orçamento necessário para combater a crise causada pela pandemia de coronavírus, inclusive o dinheiro destinado para fins políticos, como os R$ 2 bi do fundo partidário, que vem sendo alvo de petições públicas nas redes sociais.
Em entrevista à CNN Brasil, Maia falou que o a equipe de Bolsonaro tem a liberdade para “gastar o que precisar”. “Se o Governo Federal entender que precisa usar, não vejo problema. Quanto gastaríamos só para liberar o fundo de garantia? Vai custar quanto? Todos os recursos que o governo julgar necessário, poderá usar”.
Maia lembrou que, com a aprovação do Estado de Calamidade Pública, o governo não precisa mais se ater ao teto de gastos. “Liberamos o Estado de Calamidade para poder gastar o que precisar. E se precisar tirar da política, os R$ 2 bi do fundo partidário, do judiciário, vai tirar”.
Para o parlamentar, a preocupação agora deve ser com as vidas – tanto dos que estão no grupo de risco e podem se contaminar mais facilmente com o vírus, quanto os que podem ter problemas financeiros causados pela recessão, mas não acredita que um olhar apenas para a economia seja o apropriado.
“A linha de pensamento é de preservação de vidas. Ouvi alguns economistas dizendo que mais contaminações resultam em menos recessão. Eu sou contra isso. Precisamos focar em achatar a curva de contágio. O governo precisa entender que o isolamento vai causar um tranco na economia”, disse Maia.
“Do meu ponto de vista, precisamos garantir a proteção dos mais vulneráveis. Construir mais leitos, como a Alemanha fez, e a gente sabe que tudo vai ter consequências. A vida é prioridade, tanto de quem pega o vírus como de quem pode ficar sem tem o que comer”, completou.
Segregação de orçamento
Rodrigo Maia anunciou que, entre hoje, 23, e terça-feira, 24, a Câmara discutirá a segregação do orçamento da crise, para que a gestão do orçamento destinado ao enfrentamento do Covid-19 seja feito de forma mais ágil.
“O poder executivo fará a gestão, por meio do comitê do Governo, que vai organizar as despesas. A segregação do orçamento faz com que quem esteja assinando fique mais confortável em gastar o que for necessário”.
Suspensão de contrato de trabalho
Perguntado sobre a suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses, sugerida em Medida Provisória (MP) pelo governo Bolsonaro, Maia disse que se trata de algo “impensável”.
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