Geddel chora em audiência e nega pressão sobre Calero
A Justiça Federal divulgou, nesta sexta-feira (8), os vídeos da audiência de processo em que o ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, é acusado de pressionar o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, para a liberação de um prédio em Salvador.
As obras do edifício, onde Geddel tinha comprado um apartamento, estavam embargadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em novembro de 2016, Calero deixou a gestão de Michel Temer e disse à Polícia Federal (PF) que foi pressionado para liberar a construção.
Geddel a chorou ao se defender da acusação por improbidade administrativa e negou qualquer tipo de interferência. “O que eu tratei com o senhor Calero é que havia um problema na minha cidade, e pedi que ele apresentasse uma solução. A solução veio negativa”, disse.
Na ocasião, Calero chegou a citar Temer como outro agente de pressão. Ao depor, o ex-presidente da República afirmou que apenas tentou resolver o conflito político e que buscou evitar a saída do então ministro da Cultura.
“O que ele me disse foi o seguinte: que ele não estava podendo atender o pedido do ministro Geddel. E isto, veja, foi de um dia pro outro”, disse, destacando que Geddel “sempre se comportou muito adequadamente”.
O ex-ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, também depôs e admitiu falado com Calero, mas negou qualquer tentativa de pressão. Durante a audiência, o agora deputado federal, Marcelo Calero, reforçou ter sido pressionado para liberar a obra em Salvador.
Geddel Vieira Lima está preso preventivamente desde setembro de 2017. Ele foi condenado, pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), a 14 anos e dez meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa no caso das malas e caixas com R$ 51 milhões encontrados em um apartamento na capital da Bahia – a maior apreensão de dinheiro em espécie já feita pela PF no Brasil.
*Com informações do repórter Matheus Meirelles
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