Há 19 anos, a Itália conquistava o tetra em final marcada pela indisciplina de Zidane
Em 9 de julho de 2006, a Itália, que ficou de fora das duas últimas Copas, conquistava o quarto e último título mundial. O Estádio Olímpico de Berlim recebeu 72 mil torcedores para um confronto inédito em uma final. A “Squadra Azzurra” entrou em campo em busca do tetracampeonato, enquanto a França tentava o bicampeonato. Não foi um espetáculo de técnica, mas não faltaram eficiência e disciplina tática. Aos 7 minutos do primeiro tempo, Malouda invadiu a área italiana e foi derrubado por Materazzi. O árbitro Horácio Elizondo, da Argentina, marcou pênalti. Zidane cobrou com categoria, a bola tocou no travessão e quicou dentro do gol.
Aos 19 minutos, Pirlo cobrou escanteio da direita e Materazzi empatou de cabeça: 1 a 1. O placar não mudaria mais. O jogo representou um fim melancólico para Zidane, astro e protagonista do título francês em 1998. No segundo tempo da prorrogação, ele foi provocado por Materazzi e reagiu com uma cabeçada no peito do adversário. O craque levou o cartão vermelho. Até o presidente francês, Jacques Chirac, palpitou sobre a expulsão: “Não é aceitável, mas compreensível.” Já o zagueiro italiano admitiu ter ofendido a irmã de Zidane.
Na decisão por pênaltis, a Itália levou a melhor: 5 a 3. Pirlo converteu. Wiltord empatou. Materazzi fez 2 a 1. Trezeguet chutou no travessão. Na sequência, De Rossi fez 3 a 1. Abidal diminuiu: 3 a 2. Del Piero converteu a quarta cobrança. Sagnol diminuiu para 4 a 3. Grosso acertou o ângulo esquerdo de Barthez e garantiu o tetra italiano. Cannavaro ergueu a taça. A Itália repetia as conquistas de 1934, 1938 e 1982.
A Folha de S.Paulo relatou na capa do caderno de esportes do dia seguinte: “O épico da conquista italiana, que encerra um jejum de 24 anos sem títulos e acontece em meio a um enorme esquema de corrupção em seu campeonato nacional, teve de ser dividido com um herói derrotado. Zinedine Zidane. O meia francês, autor do gol de seu time numa cobrança de pênalti, antológica no primeiro tempo, foi expulso na segunda etapa da prorrogação por dar uma escandalosa cabeçada no peito do zagueiro italiano Materazzi. Era, como já se sabia, o último jogo da carreira de Zidane, o maior jogador que a França já produziu, líder do time campeão em 1998.”
Em Roma, a comemoração: “Os italianos driblaram a lei seca imposta pela Prefeitura de Roma e fizeram uma festa etílica para comemorar a dramática conquista da quarta Copa do Mundo da história do país.” Depois de perder o tetra para o Brasil, em 1994, a equipe agora chegava ao quarto título.
ITÁLIA 1 × 1 FRANÇA (pênaltis: 5 × 3) – Berlim – 09.07.2006
Itália: Buffon, Zambrotta, Cannavaro, Materazzi, Grosso, Camoranesi (Alessandro Del Piero), Pirlo, Gattuso, Perrotta (Iaquinta), Totti (De Rossi) e Toni.
França: Barthez; Sagnol, Thuram, Gallas, Abidal, Makelele, Vieira (Alou Diarra), Ribéry (David Trezeguet), Zidane, Malouda e Henry (Wiltord).
Árbitro: Horácio Elizondo (Argentina).
Gols: Zidane (7) e Materazzi (19) no primeiro tempo.
No link abaixo, ouça a transmissão da Jovem Pan da final da Copa de 2006, em Berlim, na Alemanha. A narração é de Nílson César. O áudio foi gentilmente cedido por um colecionador do Nordeste. São cinco horas de muita emoção pelas ondas do rádio.
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