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Alan Ghani

Fim da escala 6 x1: um retrocesso à vista

O presidente do Senado quer que Lula ganhe as eleições, pois aumenta a sua chance de permanecer no comando da Casa Alta

Alan Ghani

Manifestação pelo fim da escala de trabalho 6X1 na Avenida Paulista
Manifestação pelo fim da escala de trabalho 6X1 na Avenida Paulista LEANDRO CHEMALLE/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Ontem (14), o Senado aprovou a PEC do fim da escala 6 por 1. De maneira oportuna, Davi Alcolumbre, colocou em votação a matéria às vésperas do 2º turno para favorecer eleitoralmente o presidente Lula. O presidente do Senado quer que Lula ganhe as eleições, pois aumenta a sua chance de permanecer no comando da Casa Alta. Caso contrário, se Flávio Bolsonaro ganhar, a era do Czar do Amapá chegará ao fim no Senado Federal.

É triste ver Davi Alcolumbre, Lula e senadores da oposição votarem a favor da matéria motivados apenas pelo cálculo político. Lula visa à reeleição; Alcolumbre, à permanência na presidência do Senado, e a oposição votou a favor com medo de perder votos para Flávio Bolsonaro. E assim foi chancelada a PEC que engessa o mercado de trabalho, limitando a carga horária a 40 horas semanais com dois dias de descanso. 

Como o custo da hora trabalhada vai aumentar – afinal trabalhe-se menos com o mesmo salário – evidentemente as empresas vão reagir. Uma provável reação será o corte de despesa, com demissões, o que elevará a taxa de desemprego. Outra consequência será o repasse do aumento do custo no preço final do serviço ou da mercadoria, trazendo impactos inflacionários. Elevação da informalidade e pejotização também são efeitos prováveis do fim da escala 6 por 1.

É preocupante também como se dará a operação em alguns setores em que necessitam trabalhar na escala 6 por 1 (químico, transporte aéreo, entre outros). A redução traz um problema operacional para muitas empresas dessas áreas. O problema se torna maior com o fato de em alguns setores ter escassez de mão de obra.  

Por fim, é um escândalo a aprovação dessa matéria num país de renda média, com baixa produtividade, e com 66 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho por opção. O país precisa crescer mais e colocar mais gente no mercado de trabalho para reduzir a pobreza. 

Flexibilizar o mercado de trabalho levaria o país para o caminho do desenvolvimento econômico, mas infelizmente, optamos pelo retrocesso.

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