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Produtora de ‘Dark Horse’ fechou contrato de R$ 1,5 milhão com empresa ligada a ONG investigada

Go Up Entertainment fechou negócio com empresa de Eduardo Ferreira Franco, que também integra o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama e alvo de investigação por suspeita de desvio de recursos públicos

Matheus Alleoni e Bruno Pinheiro

Dark Horse
Filme Dark Horse Divulgação

A Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, contratou por R$ 1,5 milhão uma empresa de Eduardo Ferreira Franco, conselheiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental investigada pela Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de desvio de recursos públicos. O contrato consta dos documentos entregues à Polícia Federal (PF) no inquérito sobre o financiamento da produção cinematográfica.

O acordo foi firmado com a HCG Projetos e Cenografia Ltda., conhecida como HCamargo, da qual Franco é sócio-administrador, para a locação de estruturas e equipamentos cenográficos utilizados nas filmagens. O contrato estabelece o valor de R$ 1.547.158,68, referente ao período de 20 de outubro a 10 de dezembro de 2025.

O documento prevê três pagamentos: R$ 682,4 mil como adiantamento, R$ 146,9 mil em outubro de 2025 e R$ 717,7 mil em abril de 2026. Nos arquivos analisados pela Jovem Pan, foram identificados comprovantes bancários das duas últimas parcelas, incluindo uma transferência de R$ 717.783,18 realizada em 20 de abril deste ano.

O contrato foi formalizado em abril de 2026, após o período de locação dos equipamentos. A Go Up é comandada por Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil.

Os US$ 24 milhões mencionados no contrato são o mesmo valor negociado entre Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse, conforme mensagens reveladas em maio pelo The Intercept Brasil. Os diálogos mostraram que o banqueiro se comprometeu a aportar a quantia na produção e que o senador acompanhava os pagamentos. Em outubro de 2025, durante as gravações, Flávio chegou a cobrar Vorcaro por atrasos nos repasses. A PF afirma que o valor e o cronograma da carta-acordo coincidem com o contrato de financiamento encontrado no celular do banqueiro.

A cifra equivale a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época e supera o orçamento de grandes produções nacionais. O valor corresponde ao financiamento negociado, não a despesas efetivamente comprovadas da produção.

Empresa já recebeu recursos de ONG investigada

A relação de Eduardo Ferreira Franco com o Instituto Conhecer Brasil já havia sido revelada pelo Metrópoles. Segundo o portal, empresas ligadas ao conselheiro receberam recursos da própria organização e também foram contratadas pela São Paulo Turismo (SPTuris), empresa municipal da Prefeitura de São Paulo.

De acordo com a reportagem, o ICB destinou R$ 445 mil de uma emenda parlamentar à contratação da HCamargo e da Vamoz Comunicação, ambas ligadas a Franco. A HCamargo também firmou contratos com a SPTuris para serviços de cenografia.

Franco foi ainda sócio da Complexsys, outra fornecedora do Instituto Conhecer Brasil. Conforme reportagem publicada pela Jovem Pan, a empresa recebeu R$ 4,1 milhões da ONG entre dezembro de 2024 e julho de 2025. Parte dos pagamentos ocorreu quando ele integrava simultaneamente a sociedade da Complexsys e a direção do instituto.

A Complexsys também é investigada pela Polícia Civil. Segundo as apurações, a companhia teria utilizado notas fiscais posteriormente canceladas para justificar despesas com recursos públicos.

Investigação sobre o filme

Em junho, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação WiFi Livre SP para investigar suspeitas de fraudes e desvios em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura da capital paulista.

A investigação apura se parte dos recursos destinados à instalação de pontos de internet gratuita foi desviada para financiar Dark Horse. A operação incluiu buscas na sede da organização e na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.

Paralelamente, a Polícia Federal investiga o financiamento do filme pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Conforme mostrou a Jovem Pan, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participou diretamente das negociações para obter recursos para a produção.

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