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França impõe toques de recolher para conter depredações após protestos

Manifestações registraram diversos relatos de saques a lojas e depredações a prédios públicos

Estadão Conteúdo

Um manifestante atira um sinalizador de fumaça em direção aos xandarmas franceses durante uma demonstração em protesto contra o "alto custo de vida", em Bordéus, no sudoeste da França, em 17 de outubro de 2026, como parte de uma convocação nacional de mobilização que reúne vários grupos expressando sua indignação: ex-integrantes dos "Coletes Amarelos", estudantes do ensino médio e universitários, ativistas climáticos e até mesmo agricultores.
Na segunda-feira, as autoridades estimaram que, ao menos, 3.000 estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados em diversas cidades durante a onda de violência do fim de semana. Christophe ARCHAMBAULT / AFP)

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, impôs toques de recolher em diversas regiões metropolitanas do país a partir da noite desta segunda-feira (19), para conter novos distúrbios e saques, depois de um fim de semana marcado pela violência entre manifestantes que protestam contra a falta de recursos na educação e o alto custo de vida.

Entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira, grupos de manifestantes incendiaram lixeiras, bicicletas e outros objetos nas ruas, além de saquear estabelecimentos comerciais em Paris, Lyon, Marselha e outras cidades. O episódio ocorreu após episódios de violência intensa durante protestos realizados no sábado.

Desde o início dos protestos, no mês passado, já foram realizadas 110 marchas, que reuniram entre 550 mil e 800 mil manifestantes pela França. Pelo menos 2.400 pessoas foram detidas e 997 policiais ficaram feridos. Ao menos dois adolescentes tiveram ferimentos graves, perdendo uma das mãos.

Na segunda-feira, as autoridades estimaram que, ao menos, 3.000 estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados em diversas cidades durante a onda de violência do fim de semana.

Houve diversos relatos de saques a lojas e depredações a prédios públicos. Em Limoges, por exemplo, a prefeitura local foi incendiada. “Pedi aos prefeitos [autoridades administrativas regionais] que decretassem vários toques de recolher esta noite – toques de recolher parciais”, anunciou o chefe de governo de centro-direita após uma reunião de crise, sem especificar em quais locais a medida será aplicada.

A lista de cidades afetadas pela medida deve ser divulgada à tarde, após os prefeitos – representantes do governo nos diferentes departamentos franceses – conversarem com os prefeitos das regiões metropolitanas, detalhou ele.

Algumas medidas já foram anunciadas. Em Marselha, manifestações foram proibidas entre as 12h e as 20h desta segunda-feira; já a cidade de Denain, próxima à fronteira com a Bélgica, decretou um toque de recolher noturno até domingo.

Violência excessiva

O governo está sob pressão para conter os distúrbios e saques que, no sábado, ofuscaram os protestos multitudinários contra o aumento do custo de vida – episódios que voltaram a ocorrer na noite de domingo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu nesta segunda-feira “falhas” na gestão policial dos distúrbios e solicitou “novos modos operacionais” para “dar fim aos fenômenos de barricadas e saques”.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, indicou que esses toques de recolher não afetarão a partida de futebol da Liga dos Campeões prevista para terça-feira, entre Paris SG e Barcelona, na capital francesa.

Lecornu descartou, por ora, decretar estado de emergência – medida solicitada pelo líder do partido conservador “Os Republicanos”, Bruno Retailleau -, por considerar os toques de recolher “mais adequados”.

“Como puderam chegar a esse ponto? Nada explica, nada justifica”, disse um Macron sob pressão, que atribuiu os problemas a grupos de “extrema-esquerda” e delinquentes que se juntaram. Afirmou que as autoridades devem responder de maneira firme e com “toda transparência”.

O presidente da França ainda afirmou que “Aqueles que destruíram devem pagar, aqueles que tentaram derrubar a República irão responder por isso.” Pediu, no entanto, que os responsáveis pelos distúrbios não sejam confundidos com as centenas de milhares de pessoas que se manifestaram pacificamente no sábado contra o aumento do custo de vida.

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