Trump declara apoio total a Netanyahu antes de eleições acirradas em Israel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (18) seu “apoio pleno e total” ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, seu aliado próximo, que enfrenta eleições gerais acirradas em 27 de outubro.
Netanyahu destacou sua relação estreita com o presidente americano em um vídeo divulgado por seu partido, o Likud, de direita, e afirmou que juntos “esmagaram o Irã”. Acrescentou que, se for reeleito, poderá trabalhar com Trump para “eliminar a ameaça iraniana nos próximos dois anos, ou até antes”.
Netanyahu agradeceu a Trump “por seu imenso apoio” e pelo trabalho conjunto, depois que o presidente americano publicou uma mensagem de apoio na Truth Social, a menos de duas semanas das eleições.
“Que esta carta sirva como prova do meu apoio pleno e total a Bibi Netanyahu em sua disputa pela reeleição como primeiro-ministro de Israel”, escreveu o presidente americano. “Ele é o tipo de parceiro que os Estados Unidos desejam para Israel, um país pelo qual fez tanto”.
Trump se uniu a Netanyahu em um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro, mas aceitou um cessar-fogo em abril diante da ampla oposição da população americana à guerra, que havia provocado uma disparada dos preços do petróleo.
A votação de 27 de outubro será a primeira eleição do país desde o ataque de 7 de outubro de 2023, liderado pelo grupo terrorista Hamas, que abalou as estruturas de Israel. Por isso, o pleito é considerado um referendo sobre Netanyahu.
Netanyahu, que completará 77 anos neste mês, é o primeiro-ministro que permaneceu por mais tempo no cargo em Israel, somando mais de 18 anos no poder em diferentes mandatos desde sua primeira eleição, em 1996.
Mas, com a guerra em Gaza desencadeada após o ataque do Hamas, está cada vez mais isolado no cenário internacional, e o apoio de Trump é fundamental.
Um alerta aos eleitores
Netanyahu, que sobreviveu durante décadas como um político habilidoso, voltou ao cargo de primeiro-ministro em dezembro de 2022 após incorporar ultranacionalistas antes marginalizados e tentou rapidamente reformar o Judiciário, que investiga acusações de corrupção que poderiam levá-lo à prisão.
Seu principal adversário é Gadi Eisenkot, ex-alto comandante militar e líder do partido de centro-direita Yashar (Retidão), que frequentemente acusa Netanyahu de ser responsável pelo ataque de 7 de outubro por ter ignorado alertas dos serviços de segurança e de outros países.
Eisenkot reagiu rapidamente à declaração de Trump e afirmou que somente os israelenses podem escolher quem desejam para governar o país.
Em uma conferência em Tel Aviv, Eisenkot disse que “admira” Trump, “mas Israel é um país democrático, e somente os israelenses podem escolher seus líderes”.
Trump, no entanto, advertiu Israel a não eleger “ninguém além de Bibi” e afirmou que, se os eleitores escolherem um de seus adversários, os Estados Unidos terão que enfrentar sozinhos a ameaça do Irã.
“Os Estados Unidos terão que fazer esse trabalho por conta própria, e não estou disposto a fazê-lo”, afirmou o presidente republicano.
As pesquisas atuais indicam que nem o bloco de Netanyahu nem o liderado por Eisenkot estão em condições de conquistar as 61 cadeiras necessárias para controlar o Parlamento de 120 assentos e formar uma coalizão de governo.
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