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Saúde

Cabelo após a quimioterapia: o que ajuda na recuperação e o que é mito

O tricologista Luciano Barsanti explica os limites da touca de resfriamento, as possibilidades de tratamento e por que os fios nem sempre voltam como eram antes

Brazil Health

Quimioterapia
Quimioterapia Magnific

Ao detectar algo estranho nos seios durante o autoexame, a mulher começa a sentir medo. Com a confirmação do diagnóstico de câncer de mama, muitas vezes esse medo se transforma em pavor. Nos próximos três anos, são esperados 80 mil novos casos de câncer de mama no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e do Ministério da Saúde.

A partir do diagnóstico, começa uma batalha árdua contra a doença. Felizmente, na maioria das vezes, a depender do estágio do tumor, da precocidade do diagnóstico e do início do tratamento, essa luta será vencida.

Mas o processo não é nada simples. Antes mesmo de começar o tratamento, que pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia, muitas mulheres têm duas preocupações: “Quais são as chances de vencer a doença?” e “Será que vou perder os cabelos?”

A touca de resfriamento e seus limites

Nos últimos quatro anos, o Instituto do Cabelo, clínica médica de recuperação capilar não invasiva, atendeu 1.294 pacientes com alopecia (calvície) pós-quimioterapia. São pacientes que buscam atendimento com o médico tricologista pouco depois do diagnóstico de câncer. Esse trabalho começa com o acolhimento e a orientação sobre o caminho da recuperação capilar pós-quimioterapia.

A primeira dúvida das pacientes é sobre a eficácia da touca térmica de resfriamento durante as sessões de quimioterapia. Vale ressaltar que esse procedimento não é oferecido de forma universal pelo SUS. Está disponível principalmente em hospitais e clínicas da rede privada, com custos adicionais. Outro ponto fundamental é a segurança: a técnica não deve ser reproduzida de forma caseira, devido ao alto risco de queimaduras pelo frio. Além disso, a touca térmica é contraindicada em cânceres sanguíneos e em casos de metástases cerebrais ou do couro cabeludo.

Nossa experiência mostra que, embora o couro cabeludo responda ao procedimento, cerca de 70% das pacientes que usam essa tecnologia conservam, no máximo, pouco mais da metade dos cabelos que tinham antes do câncer.

Esse resultado parcial não atende às expectativas das pacientes e pode resultar no abandono do tratamento. Mas a touca não é a única opção. Depois de analisar as condições clínicas que podem afetar os cabelos, o médico tricologista pode definir protocolos específicos de recuperação capilar. O principal objetivo é acelerar a recomposição dos fios, contribuindo para a autoestima da paciente.

O que esperar da recuperação dos fios

Em sessões que podem se estender por até 12 meses, são tratadas doenças primárias do couro cabeludo, inflamações ou lesões que possam retardar o crescimento do cabelo.

Esses protocolos também podem incluir suplementos vitamínicos, mas apenas quando houver real necessidade de reposição. Eles também deixam claro que nenhum tratamento pode fazer reaparecer bulbos capilares que já não existem mais.

De forma geral, os resultados têm sido expressivos: o cabelo, que normalmente cresce cerca de 1,2 centímetro por mês, chega a uma velocidade de reposição de 1,7 centímetro mensal, com saúde, boa espessura e qualidade estética.

Há casos em que, a depender dos quimioterápicos usados, os cabelos podem não voltar ou sofrer modificações de cor, textura, espessura e até de forma.

Nos tratamentos com radioterapia no couro cabeludo, quando há metástases, pode ocorrer lesão irreversível dos bulbos capilares, levando à calvície definitiva. Existe o mito de que, após a quimioterapia, os cabelos nascem mais fortes, mas, infelizmente, isso não acontece na maioria das vezes.

A mulher que enfrenta o câncer de mama lida com diversos medos, inseguranças e dores, incluindo o forte impacto na feminilidade após cirurgias mutiladoras, ainda que necessárias. Justamente por esse contexto delicado, a relação entre médico e paciente deve ser baseada, acima de tudo, em informação, transparência e confiança.

Luciano Barsanti – CRM: 38720 | RQE: 55958

Médico e tricologista, presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia, diretor médico do Instituto do Cabelo, em São Paulo, e membro titular da Sociedade Italiana de Tricologia.

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