Dólar vai a R$ 5,40 e tem maior alta diária desde janeiro de 1999
O dólar disparou nesta segunda-feira (26) e alcançou o maior nível desde janeiro, com o aumento dos prêmios de risco fiscal e político após a surpreendente vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
Pela manhã, a divisa chegou a superar a marca de R$ 5,60, com máxima de R$ 5,6049, refletindo a reversão de posições montadas diante do favoritismo de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto, após a dianteira surpreendente no primeiro turno e a liderança, ainda que numérica, nas pesquisas de intenção de voto.
A moeda americana perdeu bastante força no fim da manhã e ao longo da tarde, com a realização de lucros e a provável entrada de fluxo de exportadores, que aproveitaram a arrancada da taxa de câmbio para internalizar divisas.
Após rondar R$ 5,40 no fim do pregão, o dólar terminou o dia em alta de 8,21%, a R$ 5,4029 — nível mais elevado de fechamento desde 5 de janeiro (R$ 5,4055). Foi o maior avanço percentual diário desde 13 de janeiro de 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o país adotou regime de bandas cambiais, com a saída de Gustavo Franco da presidência do Banco Central. O dólar passa a acumular alta de 4,40% em outubro, mas ainda recua no ano (1,57%).
“Houve um movimento muito forte de entrada de exportadores. Não tivemos problemas de liquidez como em outros momentos, como no ‘Joesley Day’, quando o mercado travou”, afirma o head de câmbio da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, em referência à crise no governo Michel Temer com a delação premiada do empresário Joesley Batista, que levou o dólar a subir mais de 8% no dia 18 de maio de 2017.
Principal termômetro do apetite por negócios, o contrato de dólar futuro para novembro teve giro muito expressivo, acima de US$ 31 bilhões. A B3 elevou, pela manhã, duas vezes o limite superior de negociação do dólar futuro: de 6% para 8,4%, antes da abertura do pregão regular, e de 8,4% para 12%, a partir das 9h30.
Apesar do estresse elevado, a avaliação é de que não houve escassez de liquidez ou disfuncionalidades que justificassem uma intervenção do Banco Central, seja com a venda de moeda à vista, seja com a oferta de swaps cambiais. Já o Tesouro Nacional interveio com a recompra de títulos públicos, o que pode ter contribuído para a acomodação do câmbio.
O estrategista de mercados emergentes do Wells Fargo, Álvaro Vivanco, avalia que a reação inicial ao desfecho eleitoral foi “exagerada”. Ele optou por ampliar sua posição “vendida” em dólar frente ao real, mirando o retorno do câmbio para R$ 5,30, estimativa de preço justo com a reeleição de Lula. A expectativa é de um “ajuste fiscal suficiente” no início do novo mandato. “A nomeação de um novo ministro da Fazenda para enviar uma mensagem positiva aos mercados também está sendo considerada”, afirma o estrategista.
Em entrevista à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo deve promover mudanças na lei ou até mesmo na Constituição para buscar o centro da meta fiscal ainda neste ano. Fontes relataram que o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é o principal nome cotado para assumir a Fazenda no Lula 4.0. Em entrevista à GloboNews, Fonteles afastou essa possibilidade. Também circulou à tarde a informação de que Geraldo Alckmin, reeleito vice-presidente, pode ser o futuro ministro da Fazenda.
“A indicação de Fonteles seria bem recebida pelos investidores. Ele tem um histórico muito positivo no governo do Piauí”, afirma o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, ponderando que é preciso ver qual será o grau de autonomia do futuro ministro para promover ajustes na política fiscal.
Assuntos
continue lendo
Política
Alckmin rebate fala de Trump sobre as eleições no Brasil: ‘Totalmente equivocada’
Nesta segunda-feira (26) o presidente dos EUA afirmou que a eleição de domingo (25) no Brasil ‘pareceu fraudada’
- Ibovespa fecha em queda após circuit breaker com inesperada reeleição de Lula Estadão Conteúdo · há 15 minutos
- Rotatividade no emprego formal chega a 33,64% em 2025; empresas enfrentam risco de perder conhecimento estratégico Mariana Nacashima · há 2 horas
- Após reeleição de Lula, Bolsa aciona ‘circuit breaker’ e pausa pregão Estadão Conteúdo · há 8 horas
- Por que a economia brasileira não consegue acelerar na produtividade? Lucas Borges · há 2 dias