JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
3 em 1 | 16h00 - 18h00
Mundo

Quem governa o Paraguai depois da renúncia do presidente?

Santiago Peña renunciou ao cargo após o escândalo envolvendo Ueno Bank

Jovem Pan*

O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Pedro Alliana, do governista Partido Colorado, fala ao celular antes de os deputados realizarem uma sessão extraordinária para decidir sobre o possível processo de impeachment do presidente Mario Abdo Benítez e do vice-presidente Hugo Velázquez, em decorrência de um polêmico acordo energético assinado em maio com o Brasil — mas cancelado em 1º de agosto. A cena ocorreu no Congresso, em Assunção, no dia 20 de agosto de 2019. O Paraguai e o Brasil cancelaram formalmente o acordo em 1º de agosto, após o episódio ameaçar a estabilidade do governo de Abdo Benítez. O pacto, relacionado à usina de Itaipu — a maior hidrelétrica do mundo —, visava estabelecer um cronograma para a compra de energia da usina até 2022. O acordo enfrentou duras críticas no Paraguai, onde alguns especialistas afirmaram que ele custaria 200 milhões de dólares a um dos países mais pobres da América do Sul. (Foto de Norberto DUARTE / AFP)
A chefia do Poder Executivo passa imediatamente para o vice-presidente da República, Pedro Alliana Norberto DUARTE / AFP

Santiago Peña anunciou na tarde desta quinta-feira (5) que renunciou ao cargo de presidente do Paraguai após o escândalo envolvendo Ueno Bank, instituição ligada a antigos sócios do chefe de Estado.

Com a renúncia do presidente da República no Paraguai, a chefia do Poder Executivo passa imediatamente para o vice-presidente da República, Pedro Alliana, que deve assumir o cargo para completar o restante do mandato constitucional. O Congresso ainda deve aceitar a renúncia formalmente para oficializar a mudança.

Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez, nascido em 19 de fevereiro de 1974 na cidade de Pilar, departamento de Ñeembucú, construiu sua trajetória pública como um dos principais articuladores do governista Partido Colorado (Asociación Nacional Republicana — ANR) nas últimas duas décadas.

Nas eleições gerais de 30 de abril de 2023, a dupla venceu o pleito com 42,74% dos votos válidos.

História irá julgar

Peña se pronunciou nas redes sociais após a renúncia: “A história se encarregará de julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje nos cabe viver. Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, disse Peña em um vídeo.

O paraguaio também pediu desculpas à população. “Também quero pedir desculpas ao povo se em algum momento falhei. Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim. Todos os dias assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias no nosso sistema financeiro”, afirmou.

Risco de impeachment

Antes de Santiago Peña anunciar a renúncia ao cargo, um processo de impeachment contra ele avançava no Legislativo. A principal bancada governista divulgou que apoiava a saída do presidente.

“Não estaremos ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados”, afirmou Cartes, presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, em comunicado publicado no X. Segundo ele, a legenda apoiará o julgamento político para “reconduzir a institucionalidade da República”.

A Câmara havia iniciado nesta manhã a sessão para analisar a acusação contra Peña. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a adesão da bancada, com 35 deputados presentes, somou-se ao apoio dos demais grupos políticos e abriu a possibilidade de votação unânime. Para encaminhar o processo ao Senado, são necessários dois terços dos votos dos deputados presentes. A eventual destituição dependerá do julgamento pela Câmara Alta.

Entenda crise bancária

Milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção, na terça-feira (3), cobrando a liberação de seu dinheiro do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país. A instituição financeira foi colocada sob intervenção depois de ser considerado insolvente. Ou seja, sem capacidade de honrar seus compromissos.

O Banco Central do Paraguai determinou o bloqueio de recursos públicos e das economias de milhões de clientes. Nesta quarta-feira (4), o órgão suspendeu temporariamente saques de dinheiro de determinados fundos de investimentos vinculados ao Ueno Bank. A instituição financeira atendia quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios.

O órgão também comunicou que fará um adiantamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos aos poupadores do Ueno Bank. A antecipação será de até 40 salários mínimos. Dívidas pendentes com a instituição financeira serão deduzidas do valor.

Já a Justiça do Paraguai determinou a prisão preventiva de oito suspeitos de envolvimento na crise bancária. Dentre eles, estão o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e do diretor-executivo da instituição financeira, Federico Miguel Vázquez.

*Com informações do Estadão Conteúdo

Assuntos

continue lendo