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Brasil

Alunos invadem prédio da USP e são presos pela PM

Ação aconteceu na segunda-feira (8), em meio à assembleia que aprovou o fim da greve estudantil, iniciada em 14 de abril

Nícolas Robert

Estudantes em greve da Universidade de São Paulo (USP) durante protesto na Avenida Paulista, na região central de São Paulo
Estudantes em greve da Universidade de São Paulo (USP) durante protesto na Avenida Paulista, na região central de São Paulo MATHEUS P MACHADO/MODUSFOCUS/ESTADÃO CONTEÚDO

Seis jovens, com idades entre 18 e 22 anos, foram presos pela Polícia Militar (PM) após invadirem na segunda-feira (8) um prédio na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da cidade. O grupo de estudantes entrou em conflito com policiais militares que tentavam liberar os acessos ao local, que estavam fechados com barricadas. Durante o conflito, três seguranças da universidade ficaram feridos e precisaram de atendimento médico no Hospital Universitário.

A PM realizou a dispersão dos estudantes e apreendeu materiais como fogos de artifício, porretes, rádios comunicadores, megafone, marreta e estilingue. A perícia foi acionada e confirmou danos a mobiliários e equipamentos da instituição.

Os jovens foram encaminhados ao 7º Distrito Policial, na Lapa, onde o caso foi registrado como lesão corporal de natureza grave e dano ao patrimônio público. Eles foram liberados após prestarem depoimento.

Fim da greve

A tentativa de invasão ocorreu durante o processo de término da greve, que teve início em 14 de abril. Em assembleia realizada na segunda-feira, estudantes da USP aprovaram a recomendação para o encerramento da paralisação.

O encerramento definitivo depende agora de assembleias individuais por curso. O movimento grevista tem ficado enfraquecido, com unidades como Direito, Medicina e a Escola Politécnica já tendo retomado as atividades. Segundo levantamento da Reitoria, 24 unidades estão com aulas regulares, enquanto 19 mantêm algum nível de paralisação.

A greve tem como objetivo reivindicar melhorias no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe), condições dos restaurantes universitários, moradias estudantis e a recomposição do quadro de funcionários do Hospital Universitário.

Em maio, a paralisação contou com a adesão de professores e servidores, mas os funcionários encerraram o movimento após obterem avanços salariais.

A principal divergência financeira reside no auxílio permanência. Atualmente, os valores variam de R$ 335 a R$ 885. A USP propôs um reajuste pelo IPC-FIPE, elevando o teto para R$ 912. Os estudantes, no entanto, querem que o auxilio seja de R$ 1.804, valor corresponde ao salário mínimo paulista.

O reitor da USP, Aluisio Segurado, afirmou que a universidade manteve canais de negociação abertos e declarou que a continuidade do movimento estudantil teve motivações políticas direcionadas ao governo estadual.

*Com informações do Estadão Conteúdo