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Davis Alves

Como as organizações terroristas valem-se do cibercrime?

Uma das principais utilizações do cibercrime é a obtenção de recursos financeiros

Davis Alves

pirataria digital é crime
cibercrime-gera-prejuizo-de-r-44-bilhoes-para-brasileiros-1504387322 Divulgação

As organizações terroristas modernas utilizam o ciberespaço de diversas formas. Em muitos casos, a tecnologia não substitui suas atividades tradicionais, mas amplia seu alcance, reduz custos operacionais e dificulta a atuação das autoridades.

  1. Financiamento por meio de crimes digitais

Uma das principais utilizações do cibercrime é a obtenção de recursos financeiros.

Exemplos incluem:

  • Golpes de phishing contra empresas e cidadãos;
  • Fraudes bancárias eletrônicas;
  • Clonagem de cartões;
  • Extorsão digital;
  • Ataques de ransomware;
  • Roubo de credenciais corporativas.


Imagine um grupo criminoso que invade uma empresa e exige US$ 1 milhão para devolver o acesso aos sistemas. Esse dinheiro pode ser utilizado para financiar outras atividades ilícitas, aquisição de equipamentos, logística e expansão da organização.

2. Lavagem de dinheiro com criptomoedas

As criptomoedas oferecem rapidez e alcance global.

Organizações podem:

  • Receber recursos de apoiadores;
  • Ocultar a origem de valores ilícitos;
  • Movimentar dinheiro entre países;
  • Utilizar mixers e outras técnicas para dificultar rastreamento.

Embora as ferramentas de análise blockchain tenham evoluído muito, as criptomoedas ainda representam um desafio para investigadores em diversos cenários.

3. Recrutamento e propaganda online


A internet tornou-se uma poderosa ferramenta de influência.

Grupos extremistas e terroristas já utilizaram:

  • Redes sociais;
  • Aplicativos de mensagens;
  • Fóruns online;
  • Plataformas de compartilhamento de vídeo.

O objetivo pode ser recrutar membros, disseminar ideologias, captar recursos ou ampliar sua influência.

4. Comunicação segura

Aplicativos com criptografia ponta a ponta permitem comunicações mais difíceis de serem interceptadas.

Entre as práticas observadas por autoridades ao redor do mundo estão:

  • Uso de mensagens temporárias;
  • Compartilhamento de arquivos criptografados;
  • Utilização de VPNs;
  • Uso da rede Tor para ocultação de identidade.

5. Inteligência e coleta de informações (OSINT)

Fontes abertas fornecem uma enorme quantidade de informações.

Organizações podem utilizar:

  • Redes sociais;
  • Sites governamentais;
  • Bases públicas;
  • Imagens de satélite;
  • Dados vazados na internet.

Essas informações podem ser usadas para entender rotinas, identificar alvos ou mapear organizações.

6. Ataques contra infraestruturas críticas

Em cenários mais sofisticados, grupos podem tentar atingir:

  • Sistemas elétricos;
  • Telecomunicações;
  • Transportes;
  • Hospitais;
  • Instituições financeiras.

Embora ataques desse tipo geralmente exijam capacidades técnicas avançadas, autoridades de
diversos países tratam esse risco como uma preocupação crescente.

7. Desinformação e operações psicológicas

A internet permite disseminar informações em larga escala.

Alguns grupos utilizam:

  • Perfis falsos;
  • Bots;
  • Campanhas coordenadas;
  • Conteúdo manipulado.

O objetivo pode ser gerar medo, confusão, polarização social ou enfraquecer a confiança em instituições.

8. Compra de serviços criminosos na Dark Web

Hoje existe um verdadeiro mercado clandestino digital.

É possível encontrar serviços como:

  • Malware sob demanda;
  • Credenciais roubadas;
  • Documentos falsificados;
  • Infraestrutura para ataques;
  • Serviços de lavagem de dinheiro.

Isso reduz significativamente a necessidade de conhecimentos técnicos avançados por parte da organização.

Por que isso preocupa a cibersegurança?

A convergência entre terrorismo, crime organizado e cibercrime cria um cenário em que ameaças físicas e digitais se misturam.

Um grupo pode, ao mesmo tempo:

  • Financiar-se por meio de fraudes digitais;
  • Utilizar criptomoedas para movimentar recursos;
  • Recrutar membros pelas redes sociais;
  • Coletar inteligência em fontes abertas;

Realizar campanhas de desinformação.

  • Financiar-se por meio de fraudes digitais;
  • Utilizar criptomoedas para movimentar recursos;
  • Recrutar membros pelas redes sociais;
  • Coletar inteligência em fontes abertas;
  • Realizar campanhas de desinformação.

Por isso, equipes de cibersegurança, inteligência, investigação digital e compliance passaram a monitorar não apenas hackers tradicionais, mas também organizações criminosas e terroristas que utilizam o ambiente digital como multiplicador de suas capacidades operacionais.

Em outras palavras, o ciberespaço tornou-se um dos principais ambientes de apoio, financiamento, comunicação e influência para organizações terroristas do século XXI.

Quer se aprofundar no assunto, tem alguma dúvida, comentário ou quer compartilhar sua experiência nesse tema? Me escreva no Instagram: @davisalvesphd.