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Estados Unidos consideram ‘inaceitável’ resposta do Hamas a proposta de cessar-fogo em Gaza

Proposta americana prevê uma trégua de 60 dias e trocas sucessivas de reféns e prisioneiros; grupo terrorista condiciona aceita à pausa permanente nos confrontos e à retirada total das forças israelenses da Faixa de Gaza

Felipe Cerqueira

Soldados israelenses fazem guarda enquanto palestinos tentam chegar às suas casas para cuidar de seus pertences no campo de refugiados de Tulkarem
Palestinians try to reach their houses near Tulkarem Alaa Badarneh/EFE/EPA

O grupo terrorista palestino Hamas afirmou neste sábado (31) ter enviado uma resposta formal à proposta de trégua apresentada pelos Estados Unidos para a Faixa de Gaza. No entanto, o enviado americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, classificou a resposta como “inaceitável” e acusou o Hamas de atrasar as negociações. “O Hamas deveria aceitar a proposta marco que apresentamos como base para os próximos diálogos, que poderiam começar já na próxima semana”, escreveu Witkoff na rede X.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez coro com o enviado americano e acusou o grupo palestino de manter uma postura de rejeição. Segundo uma fonte próxima às negociações, o Hamas enviou sua resposta por escrito aos mediadores, destacando uma posição positiva, mas condicionada à garantia de cessar-fogo permanente e à retirada total das forças israelenses da Faixa de Gaza.

No comunicado divulgado neste sábado, o Hamas afirma que está disposto a libertar dez reféns vivos capturados em 7 de outubro de 2023 e entregar os corpos de 18 vítimas, em troca da libertação de um número acordado de prisioneiros palestinos. A proposta americana, segundo fontes ligadas às negociações, prevê uma trégua de 60 dias — prorrogável por mais dez — e trocas sucessivas de reféns e prisioneiros. Na primeira fase, o Hamas entregaria cinco reféns vivos e os corpos de nove mortos. Na segunda semana, uma nova troca com o mesmo número seria realizada.

O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra, matou 1.218 pessoas em Israel, a maioria civis. De acordo com autoridades israelenses, 251 pessoas foram sequestradas naquele dia. Atualmente, 57 seguem em cativeiro, sendo que ao menos 34 estariam mortas. Desde então, a ofensiva militar israelense causou a morte de mais de 54 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas — número considerado confiável pela ONU.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, alertou nesta semana que o Hamas precisa aceitar a proposta dos EUA ou enfrentará “aniquilação”. O grupo terrorista islâmico, que governa a Faixa de Gaza desde 2007, reforçou em sua declaração que seu objetivo é obter um cessar-fogo definitivo, a retirada das tropas israelenses e a ampliação da ajuda humanitária à população.

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A crise humanitária no território se agrava. Na sexta-feira (30), o Escritório da ONU para Assuntos Humanitários (OCHA) classificou Gaza como “o lugar com mais fome do mundo”, afirmando que toda a população está em risco de fome extrema. Apesar de os Estados Unidos terem dito que Israel aceitou a proposta, o governo israelense ainda não confirmou isso publicamente. Neste sábado, o exército de Israel afirmou que projéteis lançados de Gaza atingiram áreas despovoadas. A ofensiva militar segue com o objetivo de tomar controle de toda a Faixa de Gaza, eliminar o Hamas e libertar os últimos reféns em poder do grupo.

*Com informações da AFP
Publicado por Felipe Cerqueira

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