JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Pânico | 12h00 - 14h00
Eliseu Caetano

Sob Trump, taxa de mortes em centros de detenção de imigrantes mais que dobra

Taxa saltou para uma morte a cada 1.630 pessoas mantidas sob custódia

Eliseu Caetano

Donald Trump durante participação no G7, em 16 de junho de 2026
Donald Trump durante participação no G7, em 16 de junho de 2026 Mandel NGAN / AFP

Donald Trump voltou à Casa Branca prometendo a maior operação de deportação da história dos Estados Unidos. Quase um ano e meio depois, uma investigação da Reuters revela um dos efeitos mais preocupantes dessa política: a taxa de mortes nos centros de detenção de imigrantes mais do que dobrou em comparação aos governos anteriores.

O levantamento analisou dados oficiais do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e identificou 50 mortes de imigrantes sob custódia da agência entre janeiro de 2025 e o início de junho de 2026. O número, por si só, já chama atenção. Mas o dado mais alarmante está na proporção.

Entre 2009 e 2024, período que engloba os governos Obama, Trump em seu primeiro mandato e Biden, a média foi de uma morte para cada 3.848 detidos. Sob a atual administração Trump, essa taxa saltou para uma morte a cada 1.630 pessoas mantidas sob custódia.

Os números surgem em meio à expansão sem precedentes do sistema de detenção migratória americano. Impulsionado pela política de tolerância zero à imigração irregular, o governo ampliou operações de fiscalização, acelerou prisões e aumentou significativamente a população de imigrantes mantidos em centros de detenção enquanto aguardam deportação ou decisões judiciais.

Em alguns momentos deste ano, mais de 70 mil pessoas estavam detidas simultaneamente pelo ICE, um recorde histórico.
A investigação da Reuters aponta que muitas das mortes ocorreram entre pessoas que apresentavam condições médicas pré-existentes, problemas cardíacos, doenças crônicas ou transtornos mentais. Especialistas consultados pela agência afirmam que diversos casos levantam questionamentos sobre a qualidade do atendimento médico oferecido dentro das instalações.

A Reuters ouviu detentos, ex-detentos, familiares, advogados, médicos e especialistas em imigração. Os relatos descrevem atrasos em atendimentos, dificuldades para acesso a especialistas e problemas de monitoramento de pacientes considerados de alto risco.

Entre os casos analisados está o de Chaofeng Ge, um cidadão chinês que possuía histórico de tentativa de suicídio. Segundo a reportagem, sinais de alerta teriam passado despercebidos durante o período em que permaneceu sob custódia. Outro caso citado é o do vietnamita Tuan Van Bui, que morreu após sofrer uma emergência médica em um centro de detenção em Indiana.

A administração Trump contesta as críticas e argumenta que o aumento das mortes deve ser analisado no contexto da expansão do sistema. Autoridades afirmam que a população detida cresceu rapidamente e que o governo continua seguindo protocolos médicos estabelecidos para garantir assistência aos imigrantes sob custódia.

Ainda assim, os dados revelados pela Reuters ampliam a pressão sobre a Casa Branca justamente quando Trump busca transformar o endurecimento das políticas migratórias em uma das principais vitrines de seu segundo mandato.
O debate ultrapassa a questão da segurança de fronteiras. A discussão agora envolve a capacidade do sistema de absorver um número cada vez maior de detidos sem comprometer padrões básicos de atendimento e proteção à vida.

Para defensores da política migratória de Trump, o aumento das detenções demonstra o sucesso da estratégia de combate à imigração ilegal. Para críticos, porém, os números apresentados pela Reuters indicam que a expansão acelerada do sistema pode estar produzindo consequências humanas que vão muito além das estatísticas.

E é justamente aí que a questão se torna politicamente sensível: enquanto o governo comemora recordes de prisões e deportações, cresce também o escrutínio sobre o que acontece por trás dos muros dos centros de detenção que sustentam essa política.