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Eliseu Caetano

Luigi Mangione desiste de defesa psiquiátrica em julgamento pela morte de CEO nos EUA

Pela legislação de Nova York, essa tese não absolve o acusado, mas pode reduzir uma condenação por assassinato para homicídio culposo ou homicídio de menor gravidade, diminuindo significativamente a pena

Eliseu Caetano

Luigi Mangione em tribunal
Luigi Mangione em tribunal Steven HIRSCH / POOL / AFP

A estratégia de defesa de Luigi Mangione, acusado de assassinar o CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, sofreu uma reviravolta inesperada nesta semana. Apenas um dia após informar à Justiça que pretendia alegar que o réu sofria de um “distúrbio emocional extremo” no momento do crime, a equipe jurídica retirou oficialmente essa linha de argumentação.

Mangione, de 28 anos, é acusado de matar Thompson em dezembro de 2024, em Manhattan, em um dos casos criminais mais acompanhados dos Estados Unidos nos últimos anos. Segundo os promotores, ele teria planejado o ataque e utilizado uma arma impressa em 3D para executar o executivo da maior seguradora de saúde do país.

Na quarta-feira, durante uma audiência em Nova York, o juiz Gregory Carro revelou que os advogados pretendiam apresentar uma chamada “defesa psiquiátrica afirmativa”, sustentando que Mangione estava sob um estado de “extrema perturbação emocional” quando ocorreu o homicídio. Pela legislação de Nova York, essa tese não absolve o acusado, mas pode reduzir uma condenação por assassinato para homicídio culposo ou homicídio de menor gravidade, diminuindo significativamente a pena.

A mudança ocorreu depois que o magistrado determinou que a defesa entregasse aos promotores documentos e informações médicas que sustentassem a alegação psiquiátrica. Diante da exigência judicial, os advogados enviaram uma carta ao tribunal comunicando a retirada formal da estratégia.

A advogada Karen Friedman Agnifilo, principal defensora de Mangione, informou ao juiz que a equipe “retira respeitosamente” a notificação apresentada com base na legislação estadual que regula defesas psiquiátricas. O documento foi protocolado justamente no prazo final determinado pela Justiça para a apresentação das evidências médicas.

Especialistas ouvidos pela imprensa americana apontam que a defesa enfrentaria dificuldades para convencer um júri de que o crime foi resultado de um surto emocional, já que os promotores afirmam possuir evidências de planejamento prévio do ataque e tentativa de fuga após o assassinato.

Segundo a acusação, investigadores encontraram com Mangione um caderno contendo anotações críticas ao setor de seguros de saúde e referências à insatisfação com práticas de negativas de cobertura médica. A promotoria também afirma possuir a arma usada no crime e outros elementos que ligariam diretamente o acusado ao assassinato. Parte dessas provas já foi considerada admissível pelo tribunal estadual.

O caso ganhou repercussão nacional porque Thompson era uma das figuras mais importantes do sistema de saúde privado americano. O executivo foi morto do lado de fora de um hotel em Manhattan, onde participaria de uma conferência de investidores da UnitedHealth Group. Após uma caçada policial de cinco dias, Mangione foi localizado e preso na Pensilvânia.

Mangione se declarou inocente tanto das acusações estaduais quanto das acusações federais relacionadas ao caso. O julgamento estadual está previsto para começar em 8 de setembro de 2026. Paralelamente, ele também responde a um processo federal, que deverá ocorrer posteriormente.

A retirada da defesa psiquiátrica é vista por analistas jurídicos como uma das decisões mais importantes tomadas pela equipe do acusado desde o início do processo. Caso a estratégia tivesse sido mantida e aceita pelo júri, poderia representar a principal chance de reduzir uma eventual condenação por assassinato para uma acusação menos grave. Agora, a defesa deverá buscar outras formas de contestar as acusações apresentadas pelos promotores.

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