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Educação

Taxa de analfabetismo cai, mas Brasil ainda tem 8,4 milhões que não sabem ler nem escrever

Índice caiu para 4,9% em 2025, atingindo o menor nível da série histórica

Nícolas Robert

Taxa de analfabetos cai, mas Brasil ainda tem 8,4 milhões que não sabem ler nem escrever
Taxa de analfabetos cai, mas Brasil ainda tem 8,4 milhões que não sabem ler nem escrever Silvio Turra / SEED Paraná

O Brasil registrou 8,4 milhões de analfabetos em 2025, o que representa uma taxa de 4,9%, a primeira vez que o índice fica abaixo de 5% desde 2016. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo IBGE, o país reduziu o total de pessoas que não sabem ler nem escrever em 592 mil na comparação com 2024, mas ainda concentra mais da metade desse contingente (4,8 milhões) na região Nordeste (10,6%).

Apesar da evolução, o país não cumpriu a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024. Enquanto o Nordeste registram o maior índice, a região Sudeste (2,3%) apresenta as menor taxa de analfabetismo.

  • Nordeste: 10,6%
  • Norte: 5,7%
  • Centro-Oeste: 3,3%
  • Sul: 2,4%
  • Sudeste: 2,3%

A pesquisa divulgada pelo IBGE também aponta que o analfabetismo no Brasil está concentrado na população idosa. Pessoas com 60 anos ou mais correspondem a 58% do total de analfabetos, somando 4,9 milhões de brasileiros. Sem considerar este grupo, a taxa nacional cai para 2,6%.

“A diferença entre esses grupos da população reforça a importância de políticas de manutenção de crianças e jovens na escola, bem como aquelas específicas para alfabetização de adultos e idosos. Também indica que as novas gerações tiveram maior acesso à escolarização e foram alfabetizadas ainda na infância. Portanto, o analfabetismo segue mais associado aos idosos”, afirma o analista da pesquisa, William Kratochwill.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre mulheres de 60 anos ou mais (13,7%) foi menor que a dos homens (14,1%) na mesma faixa etária. Na média geral da população a partir de 15 anos, as mulheres também mantêm um índice de analfabetismo menor (4,6%) que o registrado pelos homens (5,2%).

Desigualdade racial

O levantamento revela que o analfabetismo entre pretos ou pardos com 60 anos ou mais (20,6%) é quase três vezes superior ao de brancos (7,3%) na mesma idade. Apesar da diferença, houve avanços: pela primeira vez, mais da metade (51,3%) da população preta ou parda com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio. Entre os brancos, esse percentual é de 64,9%.

A média de anos de estudo do brasileiro subiu para 10,2 anos em 2025. No ensino superior, a disparidade racial é acentuada: a proporção de jovens brancos com diploma (6,2%) é mais que o dobro da registrada entre pretos ou pardos (3,0%).

Entre jovens de 14 a 29 anos, o principal motivo para o abandono ou falta de frequência escolar é a necessidade de trabalhar, citado por 43% dos entrevistados. O desinteresse pelos estudos aparece em segundo lugar (25,6%). Entre as mulheres, fatores como gravidez (24,7%) e afazeres domésticos (8,6%) surgem como obstáculos específicos para a permanência na escola.

Na educação infantil, as regiões Norte e Nordeste apresentam a maior falta de vagas. No Norte, 44,5% das crianças de 2 a 3 anos que estão fora da escola não frequentam por não terem vagas ou instituições na localidade.

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