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Política

Defesa nega que Bolsonaro usou celular para se comunicar com Eduardo

Segundo a defesa, eles alegaram não saber sobre a publicação até a intimação do ministro

Janaina Camelo e Júlia Lara

O ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, deixa a sede do Partido Liberal (PL), em Brasília, para ir para casa devido às medidas restritivas impostas pelo Supremo Tribunal Federal
Bolsonaro coloca tornozeleira eletrônica por ordem do Supremo Tribunal Federal Wilton Junior/Estadão Conteúdo

A defesa de Jair Bolsonaro negou que o ex-presidente tenha utilizado o celular para qualquer tentativa de comunicação com Eduardo Bolsonaro (PL-SP), durante um evento nos Estados Unidos. A manifestação vem após o pedido de justificativa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em relação a um vídeo publicado por Eduardo no qual ele afirma estar se comunicando com o pai.

Os advogados alegaram não ter conhecimento sobre a postagem até o momento do pedido do ministro. “Não havia ciência prévia da gravação realizada por terceiro durante evento ocorrido no exterior, tampouco de sua posterior divulgação em rede social”, justificou a defesa do ex-presidente.

A defesa afirma ainda que o vídeo é de responsabilidade de Eduardo e “sem qualquer participação do Peticionário”.

Por fim, eles reiteraram que o ex-presidente tem seguido as regras do cumprimento da prisão domiciliar humanitária de “forma rigorosa, integral e permanente, especialmente as vedações relativas ao uso de aparelhos de comunicação, utilização de redes sociais e gravação de vídeos ou áudios, diretamente ou por intermédio de terceiros”.

Pedido de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes determinou nesta segunda-feira (30) que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro explicasse, no prazo de 24 horas, uma violação das regras de sua prisão domiciliar. A decisão ocorre após a divulgação de um vídeo gravado por seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), durante um evento nos Estados Unidos.

Moraes autorizou no último dia 24 a prisão domiciliar para Bolsonaro, por um período de 90 dias. O ex-presidente está em recuperação de um quadro de broncopneumonia. Para manter essa medida, foram impostas medidas cautelares, entre elas:

  • Proibição de uso de celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação, inclusive por intermédio de terceiros;
  • Proibição de utilizar redes sociais, diretamente ou por meio de outras pessoas;
  • Proibição de gravar vídeos ou áudios, também estendida a intermediários.

O pedido de explicações foi motivado por uma postagem feita na rede social X no sábado (28). No vídeo, gravado durante a “Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC)” nos EUA, Eduardo aparece segurando um celular e afirma que está “mostrando” o evento para o pai. Na gravação, o deputado fala:

“Vocês sabem por que eu estou fazendo esse vídeo? Porque eu estou mostrando para o meu pai e eu vou provar para todo mundo no Brasil que você não pode calar um movimento de forma injusta, tirando o seu líder, Jair Messias Bolsonaro. Muito obrigado”.