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Eliseu Caetano

Parlamentares republicanos acusam Brasil de censura contra empresas americanas

Documento divulgado por aliados de Trump reacende debate sobre decisões da Justiça brasileira envolvendo redes sociais

Eliseu Caetano

Republicano Jim Jordan
Republicano Jim Jordan Foto por OLIVER CONTRERAS / AFP

Página dos congressistas republicanos que compõem o Comitê Judiciário da Câmara dos EUA diz que o Brasil, além de tentar censurar discurso americano em plataformas norte-americanas por anos, agora estaria mirando diretamente empresas americanas e consumidores dos EUA.

Um documento judicial brasileiro divulgado por parlamentares republicanos dos Estados Unidos voltou a colocar decisões da Justiça brasileira no centro do debate sobre liberdade de expressão e alcance das ordens judiciais.

A imagem foi publicada nas redes sociais pelo perfil Judiciary GOP, ligado ao Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA, presidido pelo deputado republicano Jim Jordan. O documento mostra uma decisão de um juiz da Justiça paulista determinando que Facebook, Instagram e Telegram identifiquem o responsável por um perfil e suspendam a conta em até 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 30 mil.

Na decisão, o magistrado afirma que, se uma plataforma opera no Brasil, deve cumprir as determinações da Justiça brasileira, mesmo quando a divulgação de informações ou o armazenamento dos dados ocorrem fora do país. O texto também sustenta que a suspensão de um perfil que possa causar danos a um cidadão brasileiro é uma medida de proteção garantida pelo Poder Judiciário.

O caso envolve uma ação movida por uma cidadã brasileira que busca identificar quem administra um perfil em rede social. Além da quebra dos dados cadastrais vinculados à conta, o juiz determinou a suspensão temporária do perfil até nova decisão judicial.

A publicação do documento ocorre em meio ao aumento das críticas de integrantes do governo Trump e de parlamentares republicanos às decisões de magistrados brasileiros envolvendo plataformas digitais. Nos últimos meses, autoridades americanas passaram a questionar ordens judiciais que determinam remoção de conteúdos, bloqueio de perfis e fornecimento de dados por empresas de tecnologia.

O tema ganhou repercussão internacional desde os embates entre o ministro Alexandre de Moraes e empresas como X e Rumble. Enquanto autoridades brasileiras afirmam que as plataformas devem cumprir a legislação nacional para combater crimes e fazer valer decisões judiciais, críticos nos Estados Unidos argumentam que algumas dessas ordens extrapolam a jurisdição brasileira e podem afetar a liberdade de expressão.

Até o momento, não há manifestação oficial do Conselho Nacional de Justiça ou do Tribunal responsável pelo processo sobre a divulgação da decisão nas redes sociais americanas.

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