O subsídio que nem deveria existir
Durou pouco o lampejo de responsabilidade fiscal do ministro da Fazenda, Dario Durigan, em acabar com o fim dos subsídios da gasolina. Com o fim do frágil cessar-fogo entre EUA e Irã, o ministro decidiu adiar a decisão, mantendo o benefício para o combustível.
Mesmo no auge do conflito, o subsídio jamais deveria ter sido colocado sobre o diesel e a gasolina. A razão é simples: o fato de baratear o preço do combustível não vai aumentar a produção de gasolina e diesel. Pelo contrário: o preço alto sinaliza a escassez, e baixar o valor artificialmente só vai estimular ainda mais o consumo dos derivados de petróleo num momento de redução da produção de combustíveis. Em outras palavras, a redução de preços não aumenta a produção, mas eleva o consumo num momento crítico de escassez, e que, no limite, pode levar à falta de combustíveis.
Para a classe política, é difícil entender que, em qualquer mercado, há um preço de equilíbrio que regula a oferta e a demanda. E interferir neste mecanismo evidentemente traz consequências.
Além da redução de estoques de combustíveis, outro efeito do subsídio é fiscal. A sociedade paga, com impostos, para não ter gasolina e diesel mais baratos. O impacto total dessa conta chega a R$30 bilhões num momento em que o governo precisa urgentemente fazer um ajuste fiscal.
Mas, em ano eleitoral, pouco importa a racionalidade econômica. Aliás, a racionalidade é diametralmente oposta a capacidade de utilizar a máquina para ganhar as eleições.