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Wanderley Nogueira

Protecionismo? O Brasil já foi ‘alvo’

 Em 1998 e até em 2022, surgiram críticas de que o Brasil recebia menos cartões, pênaltis duvidosos ou árbitros mais 'amigos'

Wanderley Nogueira

Seleção brasileira (6)
No futebol, evidências de “protecionismo sistemático” são sempre subjetivas Rafael Ribeiro / CBF

Argentina é o assunto do momento, e as acusações de protecionismo por parte da FIFA voltam a ganhar força nas redes e em rodas de conversa. Mas será que estamos diante de algo concreto ou apenas do velho combustível da rivalidade?

Muita gente entende que a acusação de protecionismo diz mais sobre rivalidade do que sobre realidade comprovada.

 O Brasil já passou por isso. A Argentina passa agora. E o ciclo continua. Afinal, futebol sem polêmica não seria futebol, não é mesmo?

No futebol, evidências de “protecionismo sistemático” são sempre subjetivas. Decisões polêmicas acontecem para todos os lados, mas a rivalidade amplifica cada lance duvidoso, cada cartão amarelo a menos e cada pênalti contestado.

Quando o Brasil vivia sua era dourada — especialmente nos anos 90, em 2002 e com picos até 2010 —, era comum ouvir que a Seleção era “protegida” pela FIFA.

 Em 1998 e até em 2022, surgiram críticas de que o Brasil recebia menos cartões, pênaltis duvidosos ou árbitros mais “amigos”. Na final de 2002, italianos e alemães reclamaram abertamente de favorecimento.

Na época de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho, a narrativa era que a FIFA “empurrava” o Brasil por razões de marketing: o país como potência futebolística e futura sede da Copa de 2014. Rivais sul-americanos (como Argentina e Uruguai) e europeus não poupavam críticas, falando abertamente em “protecionismo”.

Entre 2006 e 2010, frases como “FIFA favorece o Brasil” eram comuns em fóruns, jornais argentinos e até entre alguns brasileiros torcendo contra.
Isso é clássico da rivalidade no futebol: o time que domina sempre vira o “protegido” da FIFA. Atualmente, o alvo é a Argentina, especialmente com Messi e os títulos recentes. 

O mesmo acontece no Brasil com o Palmeiras, o Flamengo ou qualquer equipe que vença com frequência.Não é coincidência. Há motivos claros para isso. 

Cito dois principais no futebol:Sucesso gera inveja — Quando um time ou seleção ganha seguidamente, as derrotas dos outros precisam de uma “explicação” além de simplesmente “eles foram melhores”.Arbitragem nunca é perfeita — Erros existem, mas eles doem muito mais quando favorecem o rival.

Em 2006, era comum ouvir que “a FIFA ama a Itália”. Em 2014, argentinos e brasileiros diziam que o time da FIFA era a Alemanha. Em 1998, muitos acreditavam que tudo havia sido armado para a França. Em 2018, brasileiros e sul-americanos reclamavam de protecionismo a Mbappé. Em 2008 e 2012, a Espanha foi o alvo, com holandeses e italianos apontando a forte influência do Real Madrid e do Barcelona na FIFA e na UEFA.Quando um time ou país ganha de forma consistente, as narrativas de favorecimento surgem quase automaticamente.

No final das contas, rivalidade faz parte do charme do futebol. As acusações de protecionismo provavelmente vão continuar existindo — só mudam de alvo conforme o tempo e os resultados. O importante é separar o calor da emoção da análise fria.

E você, o que acha?