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O tiro no pé de Trump

O presidente dos EUA disse que irá taxar todos os países do mundo, utilizando o princípio da reciprocidade tarifária; o problema é que para determinados produtos, a medida não tem como ser viável

Felipe Cerqueira

O presidente dos EUA, Donald Trump, assina várias ordens executivas, incluindo indultos para réus dos distúrbios de 6 de janeiro e um adiamento na proibição do TikTok
US Presidential Inauguration 2025 JIM LO SCALZO/EFE/EPA

O presidente dos EUA deu uma declaração que vem trazendo preocupações desde segunda-feira (31). Disse que irá taxar todos os países do mundo, utilizando o princípio da reciprocidade tarifária. Com o anúncio, a aversão ao risco aumentou, e houve corrida dos investidores para os títulos públicos de curto prazo americanos e para o ouro. Aparentemente Trump quer igualar a balança comercial dos EUA com todos os países do mundo.

O problema é que para determinados produtos, a medida não tem como ser viável. Por exemplo, em vez de comprar o ótimo café colombiano, os americanos produziriam café dentro do país. Há condições de solo e climáticas para isso? Os preços serão competitivos? O café americano será de qualidade igual ao colombiano?

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Na lógica da globalização, os países serão deficitários comercialmente em algumas mercadorias e superavitários em outras. Cada um se especializa naquilo que faz melhor e compra o produto de mais qualidade e mais barato de outro país. Seguir em direção contrária a essa lógica é tornar o mundo mais inflacionário e com perda de atividade econômica. 

Trump parece ignorar os efeitos benéficos da globalização, confirmados pela teoria, pela evidência empírica acadêmica e pela própria experiência norte-americana. Não só isso, mas ignora a sua própria promessa de campanha de acabar com a inflação, na medida em que o protecionismo gera aumento de preços para o consumidor. 

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