JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Morning Show | 10h00 - 12h00
Saúde

Por que você deveria levar mais a sério a dor muscular

Embora frequentemente subestimada, ela pode comprometer sono, trabalho, atividade física e qualidade de vida. Saiba o que está por trás do problema e como tratá-lo corretamente

Brazil Health

Dor no corpo
Dor no corpo Magnific

Poucas queixas são tão comuns e tão pouco levadas a sério quanto a dor muscular. Como costuma não aparecer em ressonâncias, ultrassonografias ou exames de sangue, ela acaba rotulada como “dor menor”, daquelas que passam sozinhas. Quem convive com ela sabe que não é bem assim: atrapalha o sono, o trabalho, o treino, o humor e até a confiança no próprio corpo.

Por que a dor muscular acontece e o que observar

Suas origens são muitas: do esforço mal dosado e do movimento repetitivo ao estresse, ao sono ruim, à inflamação sistêmica, a infecções e a doenças crônicas como a fibromialgia. Por isso, antes de tratar, é preciso entender a história – quando começou, onde dói, para onde irradia, o que faz piorar, se há fraqueza, inchaço ou febre. Em quadros simples, ajustar a carga, descansar, dormir bem, hidratar-se e voltar ao movimento aos poucos, com apoio da fisioterapia e da medicação quando indicada, já resolve boa parte. Mas nem toda dor é assim.

Lesão aguda: o perigo de voltar antes da hora

Na dor aguda, as lesões musculares pedem atenção especial. Às vésperas de uma Copa, as lesões dos atletas nos lembram de algo que vale para todos: o músculo precisa cicatrizar bem antes de voltar a acelerar, saltar e frear. Neste caso, sim, os exames de imagem mostram o grau da lesão e direcionam o tratamento, em princípio conservador: proteger, controlar a dor, recuperar mobilidade e força e só então liberar o retorno. Aliviar a dor não é o mesmo que estar pronto para a carga máxima.

É aqui que a medicina regenerativa deve entrar com maturidade. O plasma rico em plaquetas (PRP) vem sendo estudado nas lesões agudas e, em casos selecionados, pode encurtar o retorno ao esporte, embora a evidência ainda peça cautela. O plasma pobre em plaquetas (PPP) também desperta interesse, com uso clínico menos definido. O propósito não é estimular a qualquer custo, e sim regenerar com qualidade: tecido funcional, alinhado e resistente, que devolva segurança ao movimento.

Quando a dor vira crônica: pontos-gatilho e sensibilidade aumentada

Quando a dor se cronifica, como na síndrome dolorosa miofascial, entram em cena pontos-gatilho, bandas tensas, um sistema nervoso sensibilizado e fáscias alteradas – esses tecidos que envolvem músculos, nervos e vasos. Horas sentado, telas, sedentarismo e estresse perpetuam o quadro. O diagnóstico é sobretudo clínico: depende de uma boa escuta e de mãos que examinam e localizam com precisão.

Seja na lesão aguda ou na dor que se arrasta, o tratamento será sempre multimodal: educação, exercício, ergonomia, terapia manual, sono, manejo do estresse e correção dos fatores metabólicos que alimentam a dor, somados, quando preciso, a agulhamento, infiltrações, hidrodissecção fascial, toxina botulínica ou terapias regenerativas. A dor muscular não merece ser banalizada. Entendida a fundo e tratada a sério, ela quase sempre pode ser superada.

Dr. André Silva Pedroso CRM-SP: 90.749 | RQE: 32.862
Medicina Física e Reabilitação
Membro da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação
Membro da Associação Brasileira de Medicina Regenerativa
Membro da Sociedade Brasileira de Estudo da Dor