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Thiago Uberreich

Jovem Pan resgata íntegra da transmissão de rádio da estreia de Pelé e Garrincha, na Copa de 1958

O início da partida foi arrasador e é considerado um dos momentos mais marcantes da seleção em mundiais

Thiago Uberreich

Pelé dribla suecos na final da Copa do Mundo de 1958
Foto de arquivo mostra Pelé driblando suecos na final da Copa do Mundo de 1958 Wikimedia Commons

Depois da vitória na estreia contra a Áustria, 3 a 0, e de um empate diante da Inglaterra, 0 a 0, a seleção precisava vencer a URSS para garantir vaga no mata-mata da Copa de 1958, na Suécia. O técnico Vicente Feola foi obrigado a apostar na ofensividade e promoveu três alterações: colocou Zito, no meio de campo, e lançou de uma só vez Pelé e Garrincha. Os minutos iniciais, em Gotemburgo, foram marcados por um show do ponta direita que “destruíu” o sistema defensivo dos soviéticos. Com dois gols de Vavá, um em cada tempo, a equipe ficou em primeiro lugar do grupo e seguiu rumo à conquista do título inédito em campos europeus.

Relendo as colunas de Nelson Rodrigues, publicadas no jornal “Última Hora”, era curioso observar a revolta do cronista pernambucano com os torcedores pessimistas, mesmo depois da vitória: “(…) Portanto, marcamos dois e podíamos ter encaçapado muito mais. E o Brasil saboreou o triunfo como quem chupa um Chicabon. Quando acabou a jornada, houve, aqui, o diabo. Até os cachorros vagabundos, até os vira-latas, no meio da rua, ganiam e babavam, numa justa euforia, foi uma alegria tremenda, uma alegria de matar. (…) Quero aludir a um cavalheiro que, num lotação, rosna para os outros: – ‘Como estamos numa época de reatamento de relações, a Rússia entregou o jogo!’. Vamos e venhamos – O sujeito para arriscar semelhante tese precisa ter muita falta de caráter, muita falta de brio, muita falta de pudor. Conclusão: – Os outros passageiros quiseram linchar o cínico. Realmente, é o cúmulo que um lotação aceite animais. (…).” (Última Hora, 18/06/1958, p.15.)

Depois de décadas, finalmente apareceu a íntegra do duelo entre Brasil e União Soviética. A transmissão é da Rádio Guaíba, de Porto Alegre, com narração de Mendes Ribeiro. A gravação foi gentilmente cedida pelo pesquisador Ciro Götz. O sonoplasta Moacir Biazzy fez um trabalho de recuperação do áudio, agora disponível no “Memória da Pan”.