JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Tempo Real | 14h00 - 16h00
Negócios

Exportações do Brasil aos EUA caem 12,2% até julho e têm menor nível em 3 anos

Vendas brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 21 bilhões no período, menor valor para os primeiros sete meses do ano desde 2023

Nícolas Robert

Balança comercial
Exportações do Brasil aos EUA caem 12,2% até julho e têm menor nível em 3 anos StockSnap / Pixabay

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, uma queda de 12,2% em relação ao mesmo período de 2025. O recuo, de cerca de US$ 2,9 bilhões, levou as vendas brasileiras ao mercado norte-americano ao menor nível dos últimos três anos.

As informações constam no relatório do Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados do Comexstat, divulgado nesta terça-feira (11).

O desempenho das exportações para os Estados Unidos ficou abaixo do registrado pelo Brasil no comércio com o restante do mundo. Enquanto as vendas para o mercado norte-americano recuaram 12,2% nos sete primeiros meses do ano, as exportações brasileiras totais cresceram 10,5% no mesmo período.

Mesmo com a queda, os Estados Unidos permaneceram como o segundo principal destino dos produtos brasileiros, atrás apenas da China.

A retração foi maior entre os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas, atualmente entre 25% e 37,5%. As exportações desses itens caíram 31,5% de janeiro a julho, passando de US$ 4,6 bilhões no mesmo período de 2025 para US$ 3,2 bilhões neste ano. A redução foi de US$ 1,4 bilhão.

Entre os produtos que registraram as maiores quedas estão:

  • Sebo de bovinos;
  • Madeiras compensadas;
  • Portas;
  • Fumo;
  • Madeira de coníferas;
  • Granitos;
  • Torneiras;
  • Sucos de frutas.

Também houve redução nas vendas de semimanufaturas de ferro e aço sujeitas às regras da Seção 232.

A Seção 232 é um mecanismo previsto na legislação dos Estados Unidos que permite ao governo impor tarifas sobre produtos importados quando considera que eles podem afetar a segurança nacional.

Criada pela Lei de Expansão Comercial de 1962, a medida prevê uma investigação do Departamento de Comércio antes da adoção das tarifas. O governo de Donald Trump já utilizou a ferramenta para elevar taxas sobre produtos como aço, alumínio, automóveis, cobre, madeira e caminhões.

Comportamento diferente no resto do mundo

O levantamento aponta que alguns produtos tiveram comportamento diferente nas exportações para os Estados Unidos e para os demais mercados.

Entre os dez principais produtos brasileiros vendidos aos norte-americanos, quatro registraram queda nos EUA ao mesmo tempo em que tiveram aumento das vendas para outros países.

É o caso dos óleos brutos de petróleo, cujas exportações para os EUA recuaram 25,5% entre janeiro e julho. As vendas de semimanufaturados de ferro ou aço caíram 11,1%, as de ferro-gusa diminuíram 7,9% e as de celulose tiveram redução de 5,3%.

Entre os principais produtos sujeitos às sobretaxas mais elevadas, cinco dos dez mais exportados para os Estados Unidos tiveram queda no acumulado do ano. Esses mesmos produtos, segundo o Monitor, apresentaram crescimento das vendas para o restante do mundo.

Exportações caem em julho

Somente em julho, o Brasil exportou US$ 3,6 bilhões para os Estados Unidos, uma queda de 5% na comparação com julho do ano passado.

O resultado interrompeu a recuperação registrada em junho, quando as vendas brasileiras ao mercado norte-americano haviam crescido pela primeira vez desde agosto de 2025, período em que foram aplicadas tarifas mais elevadas.

Entre os produtos sujeitos às sobretaxas de 25% a 37,5%, a queda foi de 25,7% em julho. Por outro lado, as exportações de produtos alcançados pela Seção 232 cresceram 21,5%, impulsionadas principalmente pelas vendas de produtos de aço e alumínio.

Déficit de US$ 2,3 bilhões com os EUA

As importações brasileiras de produtos norte-americanos também recuaram no acumulado do ano. Entre janeiro e julho, foram US$ 23,2 bilhões em compras, queda de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Em julho, porém, as importações cresceram 0,6%, para US$ 4,3 bilhões. Foi a primeira alta após sete meses consecutivos de retração.

Com as exportações brasileiras em queda e as importações praticamente estáveis, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões na relação comercial com os Estados Unidos em julho.

No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o déficit chegou a US$ 2,3 bilhões, alta de 122,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O Monitor considera, nas análises, as tarifas vigentes após as medidas que entraram em vigor em 22 e 24 de julho, relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e sobre trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232.