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Política

Douglas Ruas e Eduardo Paes vão disputar segundo turno nas eleições do RJ

Candidatos do PL e PSD decidiram quem será o governador no próximo dia 25

Fernando Keller

Eduardo Paes e Douglas Ruas, candidatos ao governo do Rio de Janeiro
Eduardo Paes e Douglas Ruas, candidatos ao governo do Rio de Janeiro SAULO ANGELO/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO e Reprodução/Alerj

Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) disputarão no próximo dia 25 o segundo turno das eleições de 2026. Ruas teve 49,31% dos votos e Paes teve 42,72% dos votos.

Quem é Paes?

Paes é um dos nomes mais influentes da gestão pública no estado do Rio de Janeiro. Com uma trajetória política construída ao longo de mais de três décadas, acumulou passagens pelo Poder Legislativo federal e municipal, pelo Secretariado de Estado e pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Nascido em 14 de novembro de 1969 na cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes é filho do advogado Valmar Souza Paes e da professora Consuelo da Costa Paes. Criado na Zona Sul carioca, ingressou na vida pública ainda jovem. Paes é bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). É casado com Cristine Paes, com quem tem dois filhos, Bernardo e Isabela.

Sua experiência administrativa pública teve início em 1993, quando, aos 23 anos, foi nomeado subprefeito da Barra da Tijuca e Jacarepaguá pelo então prefeito Cesar Maia. A visibilidade adquirida na gestão local projetou sua carreira para os cargos eletivos. Foi eleito para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 1996.

Paes cumpriu dois mandatos consecutivos no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, atuou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e teve papel de destaque na CPI do Mensalão durante seu período no PSDB. Antes de assumir o comando da capital, atuou como Secretário Municipal de Meio Ambiente (2001–2002) e Secretário de Estado de Turismo, Esporte e Lazer do Rio de Janeiro (2007–2008), coordenando ações de preparação para os Jogos Pan-Americanos de 2007.

Prefeitura do Rio

A consolidação de Paes como liderança executiva deu-se no comando do Palácio da Cidade. Seu primeiro mandato começou quando ele foi eleito pelo PMDB em 2008, e depois foi reeleito em primeiro turno em 2012. Esteve à frente da cidade durante um ciclo de grandes intervenções urbanas e eventos globais, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio 2016.

A gestão foi marcada pela revitalização da Região Portuária (Porto Maravilha) e pela expansão da rede de transporte coletivo por ônibus (BRT) e bonde elétrico (VLT). Entre 2013 e 2016, presidiu o C40 (Climate Leadership Group), rede global de grandes cidades voltada ao combate às mudanças climáticas.

Após deixar a prefeitura em 2016, atuou como consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e executivo na iniciativa privada. Retornou ao comando da cidade ao vencer as eleições municipais de 2020 pelo Democratas (DEM).

Nas eleições de 2024, já filiado ao Partido Social Democrático (PSD), conquistou o quarto mandato no Palácio da Cidade, tornando-se o primeiro prefeito a atingir essa marca na história do município.

Apoio de Lula

O presidente e candidato à reeleição, Lula (PT), defendeu Eduardo Paes ao governo do Estado. A declaração aconteceu durante ato realizado no Estádio Moça Bonita, em Bangu, na zona oeste da capital, com capacidade para cerca de 9 mil pessoas. O evento começou com mais de 1 hora de atraso.

Eduardo Paes não é apenas meu amigo. É uma necessidade para o povo do Rio de JaneiroPresidente Lula

Lula afirmou que Paes “gosta de samba e gosta de demonstrar sua competência”.

“Estou convicto que Eduardo Paes é necessário para o Rio de Janeiro recuperar sua autoestima como Estado e sua respeitabilidade internacional. Tem que colocar qualquer divergência para fora”, afirmou o presidente.

Quem é Ruas?

Ruas é nascido em 7 de janeiro de 1989, Ruas é filho de Nelson Ruas dos Santos (conhecido como Capitão Nelson, atual prefeito de São Gonçalo) e de Marinete Ruas.

Ruas é bacharel em Direito e pós-graduado em Gestão Pública. Aprovado em concurso público em 2012, ingressou nos quadros da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) como inspetor, atuando na 81ª DP e na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG).

A transição formal de Ruas para o meio executivo deu-se em janeiro de 2021, quando assumiu o comando da Secretaria Municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais (SEMGIPE) da Prefeitura de São Gonçalo.

Ele permaneceu no cargo executivo municipal até abril de 2022, momento em que se desincompatibilizou das funções administrativas para disputar pela primeira vez uma vaga no Poder Legislativo estadual.

Nas eleições gerais de 2022, filiado ao Partido Liberal (PL), Douglas Ruas obteve 175.977 votos, sagrando-se o segundo deputado estadual mais votado do estado do Rio de Janeiro para a 13ª Legislatura (2023–2027). Em setembro de 2023, licenciou-se do mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) ao ser convidado pelo governador Cláudio Castro para assumir a Secretaria de Estado das Cidades (SEICIS).

À frente da pasta estadual, administrou intervenções urbanas e repasses para obras municipais até março de 2026, quando saiu do Executivo para retornar às suas atividades na ALERJ. Com o retorno ao parlamento fluminense, Ruas consolidou apoio da base aliada e de correntes partidárias para disputar a direção do Legislativo, vindo a ser eleito presidente da Mesa Diretora da ALERJ.

Em termos patrimoniais registrados perante a Justiça Eleitoral, nas eleições estaduais de 2022, o parlamentar declarou um patrimônio total de R$ 1.266.447,90. No registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito de 2026, a declaração atualizada indicou um valor total de R$ 1.467.687,88, composto por participações societárias e bens imóveis.

Sabatina na Jovem Pan

Em sabatina na Jovem Pan, Douglas negou irregularidades em contratos e buscou desvincular-se de Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro, na disputa pelo governo do estado. O candidato também defendeu a legalidade de sua gestão na Secretaria das Cidades, destacou investimentos em infraestrutura e declarou ser a favor de eleições diretas no estado.

Ruas foi questionado sobre uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado (CGE), encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR), a respeito de uma denúncia que apontava um contrato de 99,7 milhões da Secretaria das Cidades, que era comandanda por Ruas na época. Ele teria recebido um aditivo de 45%, chegando a 145 milhões.

O candidato ao governo do Rio de Janeiro negou a informação e afirmou que a auditoria citada não solicitou esclarecimentos à sua equipe e classificou o dado dos “17 dias” como infundado, uma vez que o contrato foi firmado em 2024.

Na verdade, é um contrato de mais de R$ 800 milhões que atendeu a todo o Estado do Rio de Janeiro e que, inclusive, já foi auditado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que é o controle externo. Já foi verificada toda a legalidade. Não tenho qualquer preocupação e sempre defendo os instrumentos de controle.Douglas Ruas à Jovem Pan

Outro tema abordado foi a saída de Douglas Ruas da secretaria em meio às investigações da Polícia Federal (PF), que têm como alvo o ex-governador Cláudio Castro. Questionado sobre o momento em que decidiu “pular fora do barco”, o candidato evitou críticas diretas ao ex-aliado e focou em sua própria trajetória.

Ruas destacou que foi servidor público concursado da Polícia Civil desde 2013 e eleito deputado estadual em 2022. Ruas justificou que sua ida para a secretaria foi uma “missão” para levar investimentos aos municípios menores.

Ao justificar sua candidatura atual, o candidato enfatizou que busca construir sua própria imagem política.

Saí com a convicção de que cumpri a missão com êxito. Agora sou candidato a governador, tenho minhas próprias ideias, minha trajetória e identidade própria. A população tem que se ater às pessoas que

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