JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
3 em 1 | 16h00 - 18h00
Wanderley Nogueira

Paulinho: a cabeça de um reforço parado

O jogador entra num ciclo difícil

Wanderley Nogueira

O jogador Paulinho, da SE Palmeiras, comemora seu gol contra a equipe do Botafogo FR, durante partida válida pela oitava de final, da Copa do Mundo de Clubes da FIFA
paulinho Cesar Greco/Palmeiras

Paulinho continua sem jogar pelo Palmeiras.

Dá para imaginar o contorno. Não o detalhe íntimo de cada um — cabeças são diferentes —, mas o tipo de pressão que essa situação costuma produzir.

O jogador entra num ciclo difícil. 

Ele sabe que o clube pagou caro. Sabe que a torcida espera gol, sequência, “o cara novo”. E o corpo não corresponde. Cada treino vira teste. Cada dor pequena vira alarme. 

A pergunta deixa de ser “vou jogar bem?” e passa a ser “vou aguentar o jogo?”.

Isso gera duas forças ao mesmo tempo. 

Uma é culpa: “estou decepcionando quem apostou em mim”. 

A outra é medo: medo de forçar e virar “o lesionado caro”. 

No caso do Paulinho ainda pesa o fato de ele já ter jogado infiltrado no Atlético. Ou seja, já conhece o preço de insistir machucado — e agora vive o preço de parar.

Há também o isolamento. 

O grupo treina, viaja, ganha, perde. Ele fica no departamento médico, na academia, na natação, vendo o time sem ele. 

O contrato é longo, o salário continua, mas a identidade de atacante se esvazia: você deixa de ser o goleador e vira o caso clínico.

O que costuma passar pela cabeça, em linhas gerais:

  • Será que o corpo ainda aguenta o futebol que eu sei jogar?
  • O clube ainda acredita ou já se arrependeu?
  • Se eu voltar cedo e quebrar de novo, acabo com a carreira.
  • Se eu demorar, perco o lugar de vez.

Por isso situações assim desgastam mais do que uma fase ruim de rendimento. 

Fase ruim se resolve em campo.

 Lesão depois de uma contratação milionária deixa o jogador preso entre a pressa do mercado e a lentidão do corpo.

 O talento continua na cabeça. O problema é que o corpo passou a decidir tudo.

Claro: não sei se é isso que passa na cabeça do Paulinho. 

Mas, em situações parecidas, o filme costuma ser esse — ou algo bem parecido.

Até a próxima.

Assuntos

continue lendo