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Wanderley Nogueira

UEFA e Fifa: a “paz armada” de Infantino

Enquanto as equipes da UEFA disputarem Copas do Mundo (masculina, feminina e de base) e o Mundial de Clubes, o prestígio e o valor comercial das competições permanecem intactos

Wanderley Nogueira

Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante discurso
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante discurso NORBERTO DUARTE / AFP

A decisão da UEFA de suspender a ameaça de boicote aos torneios da Fifa, após garantir que o plano de venda de participações na Copa do Mundo não voltará, mostra o equilíbrio atual do futebol mundial. Trata-se de uma “paz armada”: a Europa mantém a pressão política, mas as seleções europeias continuarão participando dos eventos da Fifa.Para a Fifa, o essencial é a presença europeia.

Enquanto as equipes da UEFA disputarem Copas do Mundo (masculina, feminina e de base) e o Mundial de Clubes, o prestígio e o valor comercial das competições permanecem intactos. A tensão política é absorvida desde que a participação esteja garantida.O Congresso da Fifa tem 211 associações com direito a um voto cada.

A UEFA controla 55 — o maior bloco, mas longe da maioria. A oposição europeia não é unânime, e Infantino mantém base sólida fora da Europa (África, Ásia e partes das Américas) construída com programas de desenvolvimento. Sem uma coalizão mais ampla, a Europa não consegue derrubá-lo sozinho.

A UEFA depende pouco dos torneios da Fifa. Cerca de 88% de sua receita vem das competições de clubes (Champions League e similares). O custo de um boicote recairia mais sobre federações menores e atletas jovens do que sobre as finanças da entidade europeia.Infantino foi eleito em 2016 em votação disputada e reeleito sem oposição em 2019 e 2023. Em 2027 busca novo mandato.

Os nomes cotados pela Europa para desafiá-lo (Aleksander Čeferin, Nasser Al-Khelaifi e Dariusz Mioduski) recuaram ou perderam força. Sem um candidato europeu claro, a oposição fica mais barulhenta do que efetiva.O cenário atual favorece a continuidade: participação europeia garantida, poder de voto favorável a quem mantém a base numérica e ausência de adversário forte.

A disputa política deve seguir, mas em doses controladas.Até a próxima.

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