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Eliseu Caetano

Fora do Escudo das Américas, Brasil deixa de receber pacote militar de US$ 52 milhões

Segundo o governo americano, os recursos serão destinados principalmente ao combate ao narcotráfico e ao chamado narcoterrorismo

Eliseu Caetano

Fora do Escudo das Américas, Brasil deixa de receber pacote militar de US$ 52 milhões
Não há uma declaração oficial da Casa Branca ou do Departamento de Estado dizendo que o Brasil ficou fora do pacote porque não integra o Escudo das Américas. Essa relação de causa e efeito não foi anunciada formalmente. Reprodução

O governo Donald Trump decidiu redirecionar US$ 52 milhões em financiamento militar para quatro países do Hemisfério Ocidental: Panamá, Peru, Equador e Colômbia. O Brasil ficou de fora.

O dinheiro estava originalmente destinado à Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque. O Departamento de Estado notificou o Congresso americano da mudança e justificou que a distribuição anterior dos recursos já não correspondia à prioridade que o governo Trump passou a dar ao Hemisfério Ocidental.

Segundo o governo americano, os recursos serão destinados principalmente ao combate ao narcotráfico e ao chamado narcoterrorismo, à segurança do Canal do Panamá e ao reforço da presença estratégica dos Estados Unidos na região.

A ausência brasileira chama a atenção porque o Brasil está fora de algumas das principais iniciativas regionais de segurança impulsionadas por Trump neste segundo mandato.

Em março, Trump lançou na Flórida o Shield of the Americas, ou Escudo das Américas, uma coalizão voltada ao combate a cartéis, organizações criminosas transnacionais e ao aprofundamento da cooperação de segurança entre Washington e governos do continente. A Jovem Pan participou do evento de lançamento. O Brasil não aderiu à iniciativa.

Também ficou fora da formação inicial da Americas Counter-Cartel Coalition, criada pelos Estados Unidos para ampliar o compartilhamento de inteligência e a cooperação contra organizações criminosas no continente.

Enquanto o Brasil permaneceu fora dessas estruturas, outros países foram aprofundando a cooperação com Washington. Panamá e Equador passaram a ocupar posição central nas iniciativas americanas de segurança regional. O Peru anunciou sua entrada no Escudo das Américas, e a Colômbia também ampliou a cooperação com os Estados Unidos na área de segurança e combate ao narcotráfico.

Agora, são justamente Panamá, Peru, Equador e Colômbia os quatro países escolhidos para receber os US$ 52 milhões.

Não há uma declaração oficial da Casa Branca ou do Departamento de Estado dizendo que o Brasil ficou fora do pacote porque não integra o Escudo das Américas. Essa relação de causa e efeito não foi anunciada formalmente.

Mas os movimentos acontecem ao mesmo tempo e mostram uma mudança importante na política externa americana para a região.

Washington está direcionando mais dinheiro, equipamentos e cooperação militar para países que participam ou se aproximam da nova arquitetura de segurança defendida pela administração Trump, enquanto o Brasil permanece fora de várias dessas iniciativas.

As diferenças entre Brasília e Washington também ficaram mais evidentes na área de combate ao crime organizado.

O governo Trump cobrou medidas mais duras contra organizações como PCC e Comando Vermelho e vem defendendo uma estratégia regional mais integrada contra narcotráfico e crime transnacional.

O Brasil mantém cooperação bilateral com os Estados Unidos em áreas como tráfico de drogas e armas, mas não aderiu ao modelo regional de segurança que Washington vem tentando consolidar.

Por isso, o pacote de US$ 52 milhões vai além do valor financeiro.

A decisão ajuda a revelar como os Estados Unidos estão redesenhando suas alianças na América Latina. Trump está retirando recursos militares que antes seriam destinados a países da Europa e do Oriente Médio para investir no próprio continente.

E, nesse novo desenho, Panamá, Peru, Equador e Colômbia recebem mais recursos e aprofundam a cooperação com Washington, enquanto o Brasil, maior país da América Latina, permanece fora desse grupo.

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