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Ricardo Nunes critica pedido da Defensoria para retirada de muro na Cracolândia

Órgão alega que estruturas impedem a livre circulação e o acesso a recursos básicos, como água potável e banheiros; prefeito diz que atenção recente ao caso foi motivada por reportagem

Felipe Cerqueira

Vista da localidade conhecida como Cracolândia, na região do bairro Luz, no centro de São Paulo
Defensoria pede retirada de muro e gradis da Cracolândia: 'Arquitetura hostil' MARCELO D. SANTS/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A instalação de gradis e barreiras físicas na região da Cracolândia, em São Paulo, tem gerado um intenso debate entre a prefeitura, a Defensoria Pública do Estado e o Ministério Público. A Defensoria solicitou a remoção dessas estruturas, alegando que elas impedem a livre circulação e o acesso a recursos básicos, como água potável e banheiros. Além disso, o órgão e o Ministério Público anunciaram uma investigação para apurar as circunstâncias da instalação das barreiras, que estão no local desde junho de 2024.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, respondeu às críticas, afirmando que a presença das barreiras desde maio do ano passado sugere uma falta de atuação da Defensoria na região. Ele insinuou que a atenção recente ao caso foi motivada por uma reportagem na imprensa, e não por uma preocupação genuína com a situação. “Se o muro está lá desde maio do ano passado, e eles [integrantes da Defensoria] só foram lá agora, significa que não vão lá ajudar. Foram atraídos por uma matéria que saiu na imprensa. Foram lá aparecer”, disse Nunes.

Em resposta, o Ministério Público declarou que a Promotoria de Habitação e Urbanismo conduzirá uma investigação para esclarecer os fatos. A prefeitura, por sua vez, defendeu a instalação das barreiras, justificando que elas foram implementadas para facilitar o trabalho dos agentes de saúde e assistência social, além de garantir maior segurança para as equipes e o trânsito de veículos.

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A administração municipal destacou que, entre janeiro e novembro de 2024, houve uma redução de 73% no número de dependentes químicos na Cracolândia. Durante esse período, 18.714 encaminhamentos para serviços municipais foram realizados, o que, segundo a prefeitura, demonstra a eficácia das medidas adotadas. As barreiras de concreto, que substituíram tapumes frequentemente danificados, têm o objetivo de proteger tanto os dependentes químicos quanto pedestres e trabalhadores na área. Nunes enfatizou que não há confinamento e que as medidas visam reforçar a segurança na região.

*Com informações de Beatriz Manfredini

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