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Brasil

Caso Master: Vorcaro troca de advogado e abre brecha para possível delação premiada

Criminalista especializado no benefício, José Luís Oliveira Lima entra na defesa do banqueiro no lugar de Pierpaolo Bottini

Júlia Mano

Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master
vorcaro-master Divulgação / Banco Master

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez uma troca em sua defesa nesta sexta-feira (13). O advogado Pierpaolo Bottini deixa a equipe para a entrada de José Luís Oliveira Lima, conhecido como Dr. Juca. Com a mudança, abre-se a possibilidade de o banqueiro fazer um acordo de delação premiada.

Bottini era contra o uso do benefício como estratégia jurídica. Diferente do Dr. Juca, que é especializado em delação premiada. O advogado também defende o general Walter Braga Netto, condenado a 26 anos de prisão por envolvimento na trama golpista.

Dias depois de ser preso, Vorcaro havia feito uma sondagem inicial com investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF) sobre a possibilidade de fazer um acordo de delação premiada. Segundo informou o portal UOL, o estágio das tratativas é inicial e ainda não houve a assinatura de um termo de confidencialidade, que formaliza esse tipo de negociação.

A mudança na defesa de Vorcaro se deu depois de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter a prisão do banqueiro. Os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator André Mendonça. Dias Toffoli se declarou suspeito para participar do julgamento. Falta votar o presidente da Corte, Gilmar Mendes.

Entenda o caso Master

Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, teve o seu encerramento forçado.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. O dono do Master foi detido novamente em 4 de março.

Segundo as investigações, a instituição financeira de Vorcaro oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.

Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.

Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.

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