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Espanha volta a ter chuvas torrenciais duas semanas após desastre de Valência

Até o momento, autoridades confirmaram um total de 223 mortos nas inundações de 29 de outubro

Luisa Cardoso

áreas residenciais e carros em campos em La Torre após chuvas torrenciais na província de Valência
Uma imagem de satélite disponibilizada pela Maxar Technologies mostra áreas residenciais e carros em campos em La Torre após chuvas torrenciais na província de Valência, no leste da Espanha, em 31 de outubro de 2024. Mais Mais de 150 pessoas morreram na província de Valência e nas províncias vizinhas depois que inundações causadas por um fenômeno climático DANA (depressão isolada de alta altitude) atingiram o leste do país. De acordo com a agência meteorológica nacional espanhola (AEMET), em 29 de outubro de 2024, Valência recebeu chuvas equivalentes a um ano, causando inundações repentinas que destruíram casas e arrastaram veículos EFE/EPA/MAXAR TECHNOLOGIES HANDOUT

As chuvas torrenciais retornaram nesta quarta-feira (13) a uma Espanha que vive com medo destes fenômenos depois das imagens arrepiantes das inundações que há duas semanas mataram pelo menos 223 pessoas, a maioria na região de Valência. A agência meteorológica nacional (Aemet) decretou alerta vermelho na província andaluza de Málaga, no sul, e em Tarragona, no nordeste, devido a esta nova Dana (Depressão Atmosférica em Níveis Altos) ou gota fria, como o fenômeno é conhecido. Uma Dana é uma massa de ar que emerge de uma corrente muito fria e desce sobre outra de ar quente, produzindo grandes perturbações atmosféricas acompanhadas de precipitações muito intensas. Nas áreas sob alerta vermelho, próximas ao litoral, poderão acumular-se chuvas entre 120 e 180 mm, segundo a Aemet. A precipitação continuará até sexta-feira.

Diante da possível cheia do rio Campanillas, que atravessa Málaga, “as casas situadas nas margens do referido rio serão evacuadas”, informou a Prefeitura. A chuva também é esperada nas zonas de Valência atingidas pelas cheias de 29 de outubro, entre o receio de que os esgotos transbordassem devido à lama solidificada, e entre a resignação de alguns moradores incapazes de imaginar como as coisas poderiam piorar. “Já perdemos os carros, já perdemos a maior parte da casa e também não temos os empregos. Então, não há nada a perder agora, não temos muito a perder”, explicou Carlos Moltó, morador do município de Picanya, à televisão regional valenciana A Punt.

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Depois de uma luta titânica para limpar as ruas, o município de Paiporta foi novamente inundado, informou o jornal local Las Provincias. Vários municípios valencianos pediram aos milhares de voluntários que não compareçam nesta quarta-feira. “Ao voluntariado: por segurança, evitem entrar em municípios em alerta laranja afetados pela última Dana, como Paiporta”, solicitou a Prefeitura local. As novas chuvas poderão afetar a busca pelos 17 desaparecidos, concentrada principalmente em barrancos e foz de rios. As autoridades da Andaluzia e da Catalunha, que estão em alerta vermelho, enviaram antecipadamente uma mensagem de alerta para os celulares dos moradores.

“Tenham muito cuidado, evitem deslocamentos e sigam os conselhos” dos serviços de emergência, disse a mensagem enviada em Málaga. As autoridades valencianas foram muito criticadas por terem enviado esta mensagem muito tarde, no dia 29 de outubro, quando muitos cidadãos que levavam a sua vida normal já estavam com água até o pescoço. A indignação contra as autoridades pela sua má gestão antes e depois das enchentes provocou protestos massivos no sábado, o maior deles na cidade de Valência, que atraiu 130 mil pessoas.

Publicado por Luisa Cardoso
*Com informações da AFP

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