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Daniel Radcliffe diz que posicionamento de J.K. Rowling sobre pessoas trans o ‘entristece’

Ator que interpretou Harry Potter e a escritora não se falam há anos; artista apoia o Projeto Trevor, uma linha de emergência para a prevenção de suicídio de jovens LGBTQIA+

Sarah Américo

O ator Daniel Radcliffe, popularmente conhecido por interpretar o inesquecível Harry Potter, disse que a posição da escritora J.K. Rowling – autora da saga do bruxo mais famoso do mundo – sobre os direitos das pessoas trans o “entristece”, e acrescentou, em uma entrevista, que não conversa com a autora de “Harry Potter” há anos. Isso “me entristece muito”, disse Radcliffe à publicação The Atlantic, que divulgou sua entrevista esta semana. “Porque olho para esta pessoa a quem conheci, o tempo que passamos, os livros que escreveu, o mundo que criou, e tudo isso é, para mim, tão profundamente empático”, disse. Rowling tem repetido publicamente que o sexo biológico é imutável, mas Radcliffe, que faz campanha pela comunidade LGBTQIA+, defende que as mulheres trans têm o direito de se identificar como mulheres.

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A identidade de gênero é um tema que divide a opinião pública em muitos países, inclusive na Escócia, onde Rowling nasceu, e nos Estados Unidos, onde Radcliffe atualmente trabalha em uma peça de teatro na Broadway. Rowling argumenta que os defensores dos direitos das pessoas transgênero minam a segurança das mulheres. Como exemplo, mencionou casos em que mulheres trans causaram problemas em vestiários femininos, banheiros e presídios. Em 2020, Radcliffe, que apoia o Projeto Trevor, uma linha de emergência para a prevenção de suicídio de jovens LGBTQIA+, respondeu a vários dos comentários de Rowling em um comunicado em que afirma que as “mulheres transgênero são mulheres”. “Vou continuar apoiando os direitos da comunidade LGBTQ, e não tenho mais comentários a respeito”, disse Radcliffe ao The Atlantic.

A imprensa britânica repercutiu esta divisão pública, especialmente porque a franquia de Harry Potter faz muito sucesso entre crianças de todo o mundo. “Muita gente que lida com sentimentos oprimidos, com a rejeição de suas famílias, ou que vive com um segredo, encontrou consolo nesses livros e filmes”, disse Radcliffe. A imprensa britânica tentou caracterizá-lo, assim como seus colegas Emma Watson e Rupert Grint, que também atuam na série, como “pirralhos mal-criados”, disse o ator.

No mês passado, Rowling pareceu atacar novamente os atores, ao responder a um comentário nas redes sociais, sugerindo que ela perdoaria os atores caso pedissem desculpas. “As celebridades que aderiram a um movimento que pretende minar os direitos das mulheres, conquistados com tanto esforço, e que usam suas plataformas para aplaudir a transição (de gênero) de menores, podem guardar suas desculpas para as mulheres traumatizadas e vulneráveis que dependem de espaços unissex”, escreveu Rowling.

*Com informações da AFP

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