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Vídeo de reunião mostra Bolsonaro falando de ação de ministros: ‘Se reagir após a eleição, vai ter caos’

Encontro aconteceu em 5 de julho de 2022 e contou com a presença de atuais investigados pela Polícia Federal; gravação foi disponibilizada pelo Supremo nesta sexta-feira 

Caroline Hardt

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) retirou o sigilo do vídeo sobre a reunião ministerial do então presidente Jair Bolsonaro (PL), realizada em 5 de julho de 2022. Na ocasião, o político pediu uma “reação” dos ministros a respeito de uma alegada fraude no sistema eleitoral – do contrário, o País viraria “uma grande guerrilha”. “Se a gente reagir depois das eleições, vai ter um caos no Brasil, vai virar uma grande guerrilha, uma fogueira no Brasil. Agora, alguém tem dúvida que a esquerda, como está indo, vai ganhar as eleições?”, disse o então presidente na ocasião. A gravação foi apreendida pela Polícia Federal na casa do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, e disponibilizada no site do Supremo nesta sexta-feira, 9. Segundo Moraes, diante da divulgação de trechos da gravação na imprensa, ele decidiu tornar o material público.

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Na gravação, é possível ver a presença de Anderson Torres (ex-Justiça), general Augusto Heleno (ex-Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Sérgio Nogueira (ex-Defesa), Mário Fernandes (ex-chefe-substituto da Secretaria-Geral da Presidência da República) e Walter Braga Netto (ex-Casa Civil). Todos foram alvos da operação Tempus Veritatis, deflagrada na quinta-feira, 8, pela Polícia Federal, em investigação de organização criminosa que atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito. “Todos aqui, como todo povo ali fora, têm algo a perder”, disse Jair Bolsonaro na reunião, fazendo referência aos membros da gestão que não estavam presentes na reunião.

Segundo o então presidente, os recursos retóricos, como o discurso pelo voto impresso, já se encontravam esvaziados e outro tipo de ação deveria ser empreendida. “Vocês estão vendo agora que… eu acho que chegaram à conclusão. A gente vai ter que fazer alguma coisa antes”, afirma Bolsonaro. Além de exigir ação imediata dos presentes no encontro, Bolsonaro afirmou que, a partir daquele momento, passaria a exigir dos ministros que concordassem com as suas alegações a respeito das falibilidade das urnas eletrônicas. “Daqui para frente, quero que todo ministro fale o que eu vou falar aqui e vou mostrar. Se o ministro não quiser falar, vai vir falar o porquê não que falar. Se não tiver argumentos, não vou querer papo com esse ministro”, continuou o então presidente.

Para o ministro Alexandre de Moraes, que autorizou os mandados de busca e apreensão da Operação Tempus Veritatis, a exigência de Jair Bolsonaro aos seus ministros demonstra “total desvio de finalidade” das funções dos cargos públicos. O então presidente estaria, segundo Moraes, ordenando a promoção de “desinformações e notícia fraudulentas” quanto ao sistema eleitoral. “Nesse sentido, o então presidente da República exige que seus ministros – em total desvio de finalidade das funções do cargo – deveriam promover e replicar, em cada uma de suas respectivas áreas, todas as desinformações e notícias fraudulentas quanto à lisura do sistema de votação, com uso da estrutura do Estado brasileiro para fins ilícitos e dissociados do interesse público”, disse Moraes em trecho do despacho que autorizou buscas nos alvos investigados pela PF.

*Com Estadão Conteúdo