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Macroeconomia

PF abre inquérito para investigar BRB por gestão fraudulenta ligada ao Master

O Banco de Brasília tentou comprar o Master, mas a operação foi cancelada com a liquidação da empresa pelo Banco Central, em novembro

Fernando Keller

BRB nega bloqueio de bens após operação da PF
BRB nega bloqueio de bens após operação da PF Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar o banco BRB (Banco de Brasília) por gestão fraudulenta, envolvendo o caso Master. Informação foi confirmada nesta terça-feira (3) pela Jovem Pan.

O BRB tentou comprar o Master, mas a operação foi cancelada com a liquidação da empresa pelo Banco Central, em novembro. Em nota, o BRB afirma que achou dados relevantes em um relatório preliminar de auditoria forense contratada pelo banco.

O BRB disse que entregou o relatório a PF na última quinta (29) e entregou o mesmo documento ao BC (Banco Central) na segunda-feira (3) para confirmar eventuais atos ilícitos.

A instituição também afirma que adotou “inúmeras medidas institucionais” após investigação independente para recuperar seus créditos e ativos com relação aos prejuízos causados pela Operação Compliance Zero, que liquidou o Master.

Em depoimento a PF no ano passado, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, divergiu de Daniel Vorcaro, presidente do Master, sobre a origem dos créditos podres adquiridos pelo banco liquidado, em acareação na Polícia Federal em dezembro.

Na última segunda (2), o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou na Câmara dos Deputados um pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master.

O objetivo é investigar um conjunto de operações financeiras realizadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

Entenda

O BRB havia anunciado, em março de 2025, a compra do Master por meio de um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira, que incluía investidores dos Emirados Árabes Unidos e previa aporte imediato de R$ 3 bilhões. A operação já havia sido vetada pelo Banco Central e, com a liquidação, qualquer negociação em andamento foi automaticamente interrompida.

Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do BRB. Ele conduziu as tratativas para a aquisição do Master. O banco é uma instituição financeira de economia mista, controlada majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal, com atuação no DF e em outros oito estados.

Liquidação

As liquidações do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, determinada em 15 de janeiro, expôs um dos episódios mais graves no sistema financeiro brasileiro.

Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. Na quarta-feira (21), o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve o seu encerramento forçado.

Segundo as investigações, o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, a instituição financeira passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.

Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.

No sábado (17), a FGC iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.

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