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Aloysio Nunes diz governo Bolsonaro atrasou negociações do acordo Mercosul-UE

Segundo o chefe de Assuntos Estratégicos da ApexBrasil Europa e ex-ministro das Relações Exteriores, existiam objeções em relação a 'sustentabilidade' do acordo naquele período

Fernando Keller

Aloysio Nunes
Aloysio Nunes Fátima Meira/Estadão Conteúdo

O chefe de Assuntos Estratégicos da ApexBrasil Europa e ex ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, afirmou em entrevista publicada pelo próprio órgão nesta sexta-feira (9), que as negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia foram retardadas durante o governo de Jair Bolsonaro. “No governo Bolsonaro, quando o acordo estava praticamente concluído a sua negociação, houve uma objeção grande por parte da União Europeia em relação à sustentabilidade, porque o governo Bolsonaro ao ter desmontado todo o arcabouço que existia em relação a proteção do meio ambiente no Brasil, além do desmonte a proteção aos povos originários, as regras trabalhistas, isso levou a objeções da União Europeia sobre a sustentabilidade da nossa produção”, afirmou.

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Ainda segundo o ex-ministro, o setor de Manufatura deve ser o primeiro a ser beneficiado em relação ao acordo entre Mercosul e União Europeia. No que se refere as tarifas, Nunes afirmou que elas serão “progressivamente eliminadas”. “Em relação a alguns das nossas exportações que vem do agronegócio estão submetidas a cotas. Especialmente carne bovina, frango e etanol”, explicou. “A União Europeia vai continuar importando carne brasileira, ainda que pagando uma tarifa maior”, afirmou.

O chefe também disse que existia uma certa resistência de setores da política brasileira sobre o acordo de que o Brasil estaria “renegando uma inclinação natural do Brasil a ter uma presença maior e prioridade a relação a países do sul, menos desenvolvidos”.

“Esses argumentos foram afastados ao longo do tempo. A indústria compreendeu que ela tinha interesse também na importação de insumos industriais com tarifa reduzida, o que aumentaria a sua produtividade. Isso foi um processo de convencimento ao longo do tempo”, disse.

Aloysio também afirmou que o acordo deve ser “extremamente positivo” para o Brasil e irá atrair mais investimentos europeus no país.”O acordo é execlente quando os dois lados perdem um pouco, e nós vamos ganhar muito, ainda que haja restrições em alguns itens das nossas importações. Nós vamos ganhar em previsibilidade, vamos reduzir burocracias. Vamos nos adequar a padrões de consumo que são observados na UE e darão de certa maneira um “selo de qualidade” as exportações brasileiras”, afirmou.

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