Cresce o número de acidentes com cargas perigosas nas estradas no Brasil
Número de acidentes com cargas perigosas aumentam no Brasil. Setor de transporte e logística ressalta despreparo de motoristas e estradas sem infraestrutura para as atuais carretas com grande capacidade de transporte. No ano passado, houve 1.095 ocorrências no país, uma média mensal de 91 registros, contra 939 em 2020, 78 por mês. O vice-presidente da Associação Brasileira de Transporte e Logística, Sérgio Sukadolnick, ressalta que a entidade realiza a análise dos pontos de maior incidência e sinistros, veículos e causas como forma de redução dos acidentes. “Os motoristas, de forma geral, desse tipo de composição não foram treinados para isso. Embora eles estejam habilitados com a categoria E, para esse tipo de equipamento, mas eles não têm as noções que são necessárias para dirigir um equipamento desse, principalmente com relação as alças de acesso das rodovias e, aí, entra um outro programa, as rodovias não foram criadas para esse tipo de transporte”, afirma.
Segundo a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), os líquidos inflamáveis concentram as ocorrências, com 640 casos, e em 40% dos sinistros foram originados avaria mecânica. Em 488 não tiveram nenhuma contaminação ao meio ambiente. “Envolver também o contratante de transportes nessas responsabilidades, isso é, eu sempre digo que quem detém o poder econômico é quem realmente teria que ter um controle maior sobre o que ele está contratando, uma gestão sobre os treinamentos dos motoristas, sobre a manutenção, enfim, diversas ferramentas que devem ser obrigadas pelo contratante no momento em que realiza o contrato de transporte para essas empresas”, defende Sukadolnick.
Embora em alta no ano passado, os acidentes caíram significativamente desde 1999 após a secretaria estadual de transporte de São Paulo criar a comissão de estudos e prevenção de acidentes no transporte rodoviário de produtos perigosos para adoção de medidas preventiva e o acompanhamento das ocorrências e suas causas. A Associação Brasileira de Transporte e Logística compõe o grupo desde o início e coordena com seus associados discussões para uma logística mais segura no Brasil, na redução de mortes e impacto direto no faturamento das empresas diante de prejuízos humanos, financeiros e também ao meio ambiente.
*Com informações do repórter Marcelo Mattos
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