‘Só vamos resolver os problemas do Brasil fazendo as reformas estruturantes’, diz Zema

Para o governador de Minas Gerais, as propostas são extremamente necessárias, especialmente a administrativa, para ‘reduzir o tamanho do Estado na economia e no bolso do brasileiro’

  • Por Jovem Pan
  • 29/01/2021 09h24 - Atualizado em 29/01/2021 09h26
ALLAN CALISTO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDONo entanto, governador acredita que há uma certa resistência da classe política em dar prosseguimento aos debates

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), considera as reformas estruturantes fundamentais para o atual momento do país. Para ele, a pandemia da Covid-19 acentuou o abismo social existente no Brasil e, por isso, as mudanças se tornam indispensáveis. “Sou otimista com relação às mudanças, a pandemia acentuou as mazelas sociais no Brasil, maior desemprego, queda na renda e mais do que nunca essas reformas, principalmente a reforma administrativa, que vai reduzir o peso e o tamanho do Estado na economia e no bolso do brasileiro, são extremamente necessárias”, disse em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta sexta-feira, 29.

Zema considera que as reformas são o único caminho possível para resolver os problemas do país, negando que o possível impeachment do presidente Jair Bolsonaro possa contribuir para melhorar a situação do Brasil. “Sou contrário à decisão do impeachment porque não é ele que vai resolver os problemas do Brasil. Só vamos resolver fazendo as reformas estruturantes, já tivemos um avanço com a reforma trabalhista, a reforma da previdência, e falta ainda a reforma administrativa, a reforma tributária e até a reforma eleitoral para melhorar a representatividade. Não é trocando de presidente que vamos fazer grandes mudanças que o Brasil precisa”, afirmou. Embora declare ser contra o afastamento presidencial e tenha lamentado a decisão do Novo, que pode apoiar a possível abertura do processo de afastamento, Romeu Zema disse que está “satisfeito no partido” e negou que possa sair da legenda.

Ainda sobre as reformas estruturantes, o governador acredita que há uma certa resistência da classe política em dar prosseguimento aos debates e diz que falta “coragem” dos representantes. “Infelizmente, na esfera política, as decisões são postergadas até o limite, a classe política, a qual eu pertenço hoje, tem receio de desagradar a população, mas precisamos de políticos corajosos no Brasil, que tenham visão de longo prazo e não uma visão imediatista visando apenas as próximas eleições. Lembrando que a visão imediatista foi responsável por uma renovação muito grande, o que deixa claro que o político que não toma decisões corajosas acaba sendo visto pela população como alguém que realmente não está desempenhando o seu papel adequadamente.”

Pandemia

Ao ser questionado sobre os embates entre governadores e o governo federal, Romeu Zema disse que falta “boa vontade” de ambas as partes e que a situação cria uma “crise e insegurança generalizada para a população”. Para ele, parece que alguns envolvidos “ficam querendo causar intrigas para que a questão esteja sempre sob holofotes”. “Nós governantes temos que dar a solução o quanto antes para questões desta natureza, inclusive para deixar a população mais calma, tranquila e vivendo em paz. A população já tem tanta coisa para cuidar, desemprego tão alto, queda na renda e estamos vendo governantes se digladiarem por uma questão que bastaria sentar em uma mesa, definir e evitar esses ruídos desnecessários. Lamento que a questão esteja sendo conduzida desta maneira.”

Segundo o governador, Minas Gerais está trabalhando com a vacinação contra a Covid-19, ressaltando que o estado tem uma das menores taxas de óbitos pela doença no país. De acordo com Zema, se o Brasil tivesse a mesma taxa de mortalidade, 75 mil vidas teriam sido poupadas. “Tudo que é possível de ser feito estamos sendo.  Muito provavelmente nenhum mineiro teve óbito por falta de atendimento, teve óbito porque não resistiu ao. Fizemos esforço, dobramos leitos para poder atender adequadamente o povo mineiro.”